A tour “SYNK : COMPLæXITY” do aespa passou por São Paulo em 04 de setembro de 2026, trazendo o hibridismo do universo digital e real mais uma vez para o Brasil no Mercado Livre Arena Pacaembu. O show atraiu 21.652 fãs.
Calor, chuva e muita música boa marcaram o dia, mas a experiência carregou fortes críticas devido ao tamanho do palco e ao send off, experiência que permitiu o encontro entre fãs e artistas.
Looks, expectativa e muito calor na fila do show do aespa

Debaixo de um sol escaldante, na fila para o show do aespa, parte da turnê SYNK : COMPLæXITY, dezenas de fãs aguardavam ansiosamente o momento de ver o grupo. Para Helena, 14 anos, o show foi um presente adiantado de 15 anos da mãe, que acompanhava a jovem. Ela conheceu o grupo em 2026 e construiu amizade com Cecília, 15 anos, por causa de um remix da ex-BBB Juliette e aespa no X. O que mais chama a atenção no grupo para a amiga da é o estilo ousado e poderoso do quarteto, não apenas nas músicas, mas em momentos em que falam sobre outros assuntos, como as lives da integrante Giselle.
A identidade do grupo é a característica mais marcante do grupo para os fãs que conversaram com a K4US. Renan, 22 anos, e Íris, 25 anos, ambos de Santa Catarina, realçaram o visual e a sonoridade do aespa como os pontos que mais gostam do grupo. Íris relatou que as artistas se destacaram pelo o quão diferente eram na época no debut, especialmente por ela acompanhar o cenário desde a primeira geração. Felipe, 22 anos, de São Paulo e fã desde o pré debut, elogiou o vocal de Winter ao dizer que possui o melhor timbre do k-pop.
Na fila, descobrimos histórias de construção de amizades por causa do aespa. Fernanda, 19 anos, e Miranda, 20 anos, vêm do interior do Paraná, de uma cidade de cerca de 8 mil habitantes, e se conheceram pelo X. Juntas, vivenciaram o primeiro show do grupo.
Hadassa, 22 anos, de Minas Gerais, apresentou o grupo ao namorado Jean, 22 anos. A jovem gosta da moda do grupo e como ele projeta confiança a partir das roupas e atitude, o que foi refletido no próprio look da fã. Ao ser questionada como se inspirou para escolher o look, Hadassa citou a bias Giselle da era Dirty Work.

Além de Hadassa, outros fãs entregaram nos looks:
Assim que chegou 15h30, a expectativa geral para entrar no show do aespa aumentou. Porém, ocorreu um atraso que possibilitou a entrada apenas 17h. Apesar disso, as filas estavam bem organizadas, sinalizadas e contava com pessoas da organização para tirar as dúvidas.
Ao entrar no estádio, é difícil não se surpreender pela magnitude do lugar. Vários locais nas arquibancadas foram preenchidos a medida que mais pessoas entravam, mas a pista premium parecia sempre apertada devido ao desejo do público de estar o mais próximo possível da grade para ver as integrantes. O fato do palco ser longe motivou o desejo, pois cada pessoa queria ter a melhor visão possível.

Então, a chuva começou. Quem comprou uma proteção antes de entrar no show do aespa deve ter se sentido grata pela escolha. O que não foi o meu caso. Os grandes pingos de chuva intensificaram rapidamente, encharcando roupa e cabelo de várias pessoas. Logo, o frio chegou, mas estar todo mundo junto ajudou a manter a temperatura menos agressiva.
Depois de cerca de 2 horas, o show começou.
O show do aespa

Uma das principais dúvidas que tive antes do show do aespa, foi como elas trariam o conceito da tecnologia para os palcos. A resposta veio pelos vídeos que criaram a narrativa das apresentações. Na introdução e intervalos, assistimos audiovisuais que ambientaram o contexto interdimensional, a luta contra um vírus tecnológico, fuga da prisão dos vilões e a vitória em meio aos desafios.
A identidade visual esteve presente, explorando muito do que já conhecemos, como a estética Y3K, cenários reais e inspiradores, cenas tecnológicas e animações em traços diferentes.

O show do aespa começou com força total ao cantarem “LEMONADE”, seguindo para “Switchblade” e a icônica `”Whiplash” que foi marcada pela chuva enquanto as integrantes apresentavam. aespa voltou ao debut com “Black Mamba” e seguiu com “WDA (Whole Different Animal)”.

Muita sensibilidade ao apresentarem “Count On Me”, em que Karina tocou piano, e uma explosão visual em “Camouflage”. “Angel #48” trouxe leveza e, por fim, as meninas conversaram com o público na apresentação individual. Além de arriscar no português com um “Olá sou a…”, Winter afirmou, ainda na língua brasileira, que somos os melhores.

A energia levantou novamente no show do aespa ao apresentarem “Can’t Help Myself”, “Kiss N Tell”, que levou o público à loucura e, então, tivemos a sequência de apresentações em solo e duplas. Giselle e Ningning trouxeram “Lollipop” com muita energia e sensualidade. Karina cantou “16bit`”, faixa que ainda não está disponível nas plataformas digitais, assim como “Saddle Up” de Winter, “BYEB4HELLO” de Giselle, e “I Love You But I Gotta Let You Go” de Ningning, que vieram em seguida. Para fechar a rodada de duplas e solos, Karina e Winter apresentaram “Serenade”.

O bloco foi importante para cada membro ter destaque e permitiu vermos lados diferentes de cada uma, tanto visual quanto musicalmente. Ningning, principalmente, usou um vestido memorável, tendo um dos grandes destaques fashion da noite.

“Armageddon” marcou o retorno do grupo aos palcos depois de uma breve pausa e o público gritou durante toda a música. Em seguida, “Bite” mostrou toda a confiança das meninas. Depois de se retirarem do palco mais uma vez, as dançarinas mostraram as habilidades ao dançarem “Dirty Work” e “Dark Arts”, o que criou ainda mais energia para a próxima faixa: “Next Level”. A música representou um dos pontos altos da noite, onde pudemos ouvir ainda mais gritos em coro que cantavam cada letra e as próprias integrantes pareceram se munir disso para entregar ainda mais força na performance. “Shakin'” veio depois e “Supernova” marcou outro grande momento na noite.
Em uma tentativa um pouco falha de interação com os fãs, o show proporcionou um momento de desafio de dança, onde aparecia um vídeo das integrantes dançando as faixas títulos e a câmera buscava pessoas na plateia para executar os movimentos enquanto era vista por todos. Quem apareceu, gostou e vibrou, mas em um espaço tão amontoado, era difícil sequer erguer o braço, quem diria dançar. A produção levou um tempo para ligar as luzes direcionadas a plateia, o que dificultou ver em quem a câmera gravava nas primeiras vezes.
Depois, o aespa volta com “YEPPI YEPPI”, sem coreografia, apenas com liberdade no palco, mas, um momento que poderia ter tido mais interações entre fãs e artistas, acabou se tornando distante. Não me recordo de ver corações trocados entre as duas partes, mal vi as garotas olharem para alguém na plateia e direcionar um sorriso. O distanciamento, definitivamente, foi um dos principais pontos negativos do show.
Após a faixa, elas conversaram com o público para se despedir, marcando o segundo momento em que elas falam diretamente com os fãs em cerca de 2 horas de show. Karina e Winter afirmaram que voltarão e o quarteto elogiou a energia brasileira, enfatizando o quão única é. Giselle disse, em português, que nos veremos novamente.

O fechamento da noite ficou por conta de “‘Till We Die”.
O grupo entregou um bom show. A setlist foi boa e possibilitou vermos os vários lados do grupo, mesmo sem “Thirsty”, “Drama”e ˜”My Plan”. Os visuais trouxeram imersão e fizeram sentido com a identidade do grupo desde o debut. O fato de ter uma história contada por meio dos telões criou, simbolicamente, o senso de que o show também faz parte da jornada do aespa na história que contam desde o início, o que foi especial.

Porém, devido ao tamanho do palco, a experiência completa pode ter ficado mais restrita ao público do PIT A, PIT B e Pista Premium, pois não me pareceram grandes o suficiente para quem estava nas arquibancadas e camarotes. Além disso, em alguns momentos, as telas laterais ficaram apagadas, o que impossibilitou ver as apresentações completamente.
Outro ponto desanimador foi a falta de interações com o público. aespa parou duas vezes para conversar, apenas para saudar e, depois, para despedir, o que é compreensível, mas durante as apresentações senti falta do olhar delas para o público e interações mais simples que fazem toda a diferença, especialmente pelo Brasil ainda não ser rota confirmada de shows de k-pop todas as vezes. Pelo menos, elas deixaram mensagens bonitas para os fãs e reconheceram o esforço de estar no local, molhados e com frio.

Do ponto de vista técnico, o show atendeu todas as expectativas. Utilizaram bem o palco e o som atendeu as necessidades. Os microfones pareciam baixos em alguns momentos, mas nada que prejudicasse como um todo a experiência. As trocas de roupas foram fenomenais, sendo cada estilo bem escolhido para os diferentes blocos musicais e pudemos ver a transição do Y3K metalizado, para vestidos esvoaçantes e estilo militar.

O que os MYs falaram na internet sobre o show do aespa
Muitos elogios e declarações surgiram a partir da experiência, mas reclamações também. O show, inicialmente idealizado para iniciar as 20h, foi alterado para ser 19h30, o que abriu especulações de que seria por causa do horário de fechamento da Mercado Livre Arena Pacaembu. Porém, segundo a Billboard Brasil, as alterações não foram por causa do limite de horário.
Além disso, três músicas foram removidas da setlist: “Thirsty”, “My Plan” e “Drama”, que o público gritou várias vezes para apresentarem. De acordo com a Billboard Brasil, as faixas ausentes foram planejadas apenas para a turnê na Ásia, pois a setlist para as Américas é diferente.
Porém, o que mais viralizou foi o momento de send off, onde os fãs teriam um momento de interação com as artistas. Geralmente, esse momento é marcado pelos idols passarem por um espaço, conversarem brevemente com os fãs, trocarem corações e afeto. No caso do aespa, elas passam em linha reta, se despedindo com as mãos e respondendo brevemente a alguns elogios, fazendo com que o momento durasse menos de 30 segundos. Vale lembrar que o pacote que continha o send off custava, na inteira, R$2.689,00.
Fãs se mobilizaram na internet para entrar com processo contra a produção do show.
Apesar dos acontecimentos, os principais problemas relacionam mais com as escolhas de bastidores e a organização do send off. Mesmo com a chuva, o show trouxe identidade e apresentações de qualidade.



