O Rock in Rio fez algo inédito para os eventos brasileiros: criou um dia específico para artistas de k-pop. NEXZ, Hwasa e Stray Kids mostraram na última sexta-feira (11.09) a força do gênero, visto que essa foi uma das únicas datas esgotadas de todo o festival. Seria, então, um aceno à necessidade de se criar um festival exclusivo para esse nicho? Público, pelo visto, existe.

A concepção de um evento focado no estilo não seria uma novidade no país, já que, em proporções menores, houve alguns experimentos sem continuidade. Em 2014, o Music Bank fez uma edição especial no Rio de Janeiro; e o Asia Star Festival, em 2023, reuniu artistas coreanos com outros nomes asiáticos.

No cenário pós-pandemia, o Brasil voltou a receber grandes estrelas do k-pop em suas turnês. A grande maioria com shows bem-sucedidos, esgotados e com múltiplas datas. Contudo, a tendência aponta para que essa música se insira cada vez mais nos festivais brasileiros, a exemplo do Lollapalooza, que trouxe The Rose e RIIZE, e do próprio Rock in Rio, que apostou em um dia dedicado ao ritmo.

Impacto do Rock In Rio

Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, espera que a organização possa repetir o sucesso na próxima edição, mas alertou que a agenda dos idols pode ser um impeditivo. Inclusive, acredito que Alok pode ter entrado como uma espécie de substituição no line-up do Palco Mundo por ser o único artista que não pertence à cena.

Com o êxito do Rock in Rio, a inserção desses talentos pode ser uma estratégia interessante para as próprias agências da Coreia do Sul, que têm um certo receio sobre a aderência da plateia. Sem a preocupação direta com a venda de ingressos, o palco vira uma mega vitrine para apresentar o trabalho a uma massa de potenciais consumidores.

O NEXZ pode ter sido pensado para o festival dessa forma. O grupo da JYP Entertainment está beirando os dois anos de formação. Ainda não estourou de verdade na Ásia e, muito menos, no Brasil, mas bastou os meninos mostrarem o português na ponta da língua e um talento absurdo para caírem no gosto dos fãs. O garoto de verde é o Tomoya, aliás.

A inclinação é que, se houver um evento próprio, a iniciativa parta de um interesse da própria Coreia do Sul. Historicamente, em toda a América Latina, uma parte considerável das turnês tem origem lá. KCON e Music Bank, por exemplo, já realizaram edições no México. O próprio Stray Kids conta com o “STRAYCITY”, um projeto de k-pop exclusivo que está passando pelo continente.

Enquanto isso não acontece, as produtoras locais possivelmente continuarão trazendo cada vez mais grupos e solistas sul-coreanos, a exemplo do rumor sobre CORTIS no Lollapalooza. De qualquer modo, quem sai ganhando somos nós, pois o sonho de ver o seu bias de pertinho tem se tornado cada vez mais acessível.