“Minha Filha É Um Zumbi” traz uma nova abordagem para vencer mortos-vivos e promete conquistar o público
A nova produção sul-coreana, que conquistou mais de 5 milhões de espectadores, chega ao Brasil hoje (03), mas a distribuidora O2 Play, em parceria com o Omelete, realizou algumas sessões de pré-estreia do filme em São Paulo e a K4US não pode ficar de fora.
Lá no Espaço Petrobras de Cinema, conseguimos acesso a esse emocionante filme de zumbi. E sim, pode parecer uma temática que não para de aparecer nos roteiros do país, com exemplo de “All Of Us Are Dead“ (2022) e “Invasão Zumbi“ (“Tarin to Busan”, 2016), mas juro que eles conseguiram encontrar uma nova forma de usá-la… afinal, quem ensina um morto-vivo a dançar?
Adaptado de uma webtoon com o mesmo nome, “Minha Filha É Um Zumbi” (2025) foi uma aposta do diretor Pil Gam-sung em trazer a história de mortos-vivos para um lado mais cômico e emocionante, principalmente com o drama familiar, ao contar a história do Lee Jung-hwan (Jo Jung-suk) tentando salvar a filha adolescente do vírus GAR, que transforma as pessoas em zumbis:
Um pai se dispõe a fazer qualquer coisa para proteger a filha após ela ser infectada por um vírus zumbi. Em vez de se transformar completamente em uma ameaça, a jovem mantém parte de sua consciência, criando uma relação tão emocionante quanto caótica entre os dois. – Sinopse do filme.
Confira o trailer oficial.
Jung-hwan é um pai solo que trabalha como tratador de tigres em um zoológico de Seul. E, por mais que esse pareça ser um trabalho díficil, é mamão com açúcar comparado ao desafio de lidar com a filha adolescente, Soo-ah (Choi Yu-ri), que está completando 15 anos quando o filme começa. Como outros da sua idade, a adolescente tenta evitar compartilhar seus hobbies com o pai, por achá-lo um pouco constrangedor e alguém que não conseguiria entendê-la.
Mas, quando o vírus GAR começa a se espalhar por Seul, pai e filha são obrigados a achar uma forma de se conectar. Nesse contexto, Soo-ah é transformada em zumbi durante a fuga da cidade e Jung-hwan se recusa a acreditar que ela perdeu sua humanidade. Esse é um dos pontos que trazem uma adição na trama: o amor incondicional do pai pela filha sustenta a história do começo ao fim, fazendo o espectador rir e se emocionar nas cenas.
Acreditando que ainda existe uma parte humana guardada na memória da menina, Jung-hwan passa a usar seus conhecimentos de treinador de animais para controlar os instintos da filha. O que começa como uma tentativa desesperada de mantê-la segura, cria situações engraçadas, como o famoso beijo de gato, sem deixar de lado a premissa de um pai tentando recuperar a filha.
Na casa da avó, Bam-sun (Lee Jung-eun) é onde o ar cômico ganha ainda mais espaço, porque, se por um lado há um pai babão, do outro tem uma avó que não se intimida com a “falta de educação” da neta zumbi, mostrando quem manda naquela casa junto com seu fiel arranhador de costas. E, claro, não posso deixar o adorável gato laranja Miau Miau de lado, que acrescenta nos momentos engraçados da trama.
O que você faria se alguém amado se tornasse um zumbi?
Ao contrário de outras produções com a temática, com sobreviventes tentando escapar da cidade ou escolhendo a violência para se livrar dos infectados, Pil Gam-sung toca o lado mais emocional do espectador ao nos fazer questionar qual atitude tomariamos no lugar do protagonista.
No caso dele, um pai que vive pela felicidade da filha, tratá-la como algo sem alma não é uma possiblidade, mesmo quando Soo-ah tenta mordê-lo, perde a capacidade de falar e se torna cada vez mais distante da menininha que conhecia, Jung-hwan continua procurando sinais de que a filha está ali. Um dos elementos principais é a famosa conexão dos dois através da dança, em especial com a música “Nº1”, de BoA, lançada em 2002, por conta da coreografia que Soo-ah monta para um concurso de dança.
A escolha da faixa para a trilha não é aleatória, com o próprio diretor declarou que enxergou nela uma combinação perfeita entre a proposta do longa, que tem uma carga animada ao mesmo tempo que trabalha uma parte melancólica, acompanhando bem a relação engraçada e dramática entre pai e filha. A própria BoA aprovou o uso da canção depois de assistir ao filme.
Ficar de olho nos momentos em que a música aparece no filme é muito importante para entender o peso do laço entre esses dois, viu?
Um elenco de peso
Aos dorameiros de plantão, principalmente aqueles que adoram um k-drama médico, talvez Jo Jung-suk seja uma carinha conhecida, por interpretar o médico Lee Ik-joon em “Hospital Playlist” (2020). No filme, ele conduz uma boa parte da história alternando entre um pai atrapalhado e um pai desesperado para proteger a filha.
Junto a ele, a atriz Lee Jung-eun, de “Do Dia Para a Noite” (2024) e “Parasita” (2019), interpreta uma típica avó que todos conseguem reconhecer. Ao mesmo tempo que tem um lado mais rabugento, que não aceita falta de respeito, não consegue abandonar o amor gigante que sente pela neta, rendendo momentos que me fez chorar de rir.
Mas, com certeza, o maior desafio foi para a atriz Choi Yoo-ri, uma vez que sua personagem passa mais da metade do filme transformada. Ela precisou construir as expressões da personagem por meio de movimentos e pequenas reações com membros que não estamos acostumados a prestar muita atenção, como os olhos. O esforço de meses do treinamento dos movimentos da personagem e o desenvolvimento da maquiagem zumbi valeram a pena, porque cada desenvolvimento de Soo-ah é perceptível e nos faz ansiar ainda mais para saber o final da história.
Entre coreografias de K-pop e momentos inusitados de tentativas de mordidas por parte da menina, “Minha Filha É Um Zumbi” traz uma nova perspectiva dos mortos-vivos, onde eles não são o “grande monstro” que outras obras ficcionais mostram, encontrando uma maneira divertida de abordar o amor da família em 114 minutos (que passam voando, já aviso). Os ingressos para o filme estão disponíveis no site Ingresso.com, então corre para adquirir o seu!
10/10
Minha Filha É Um Zumbi
Título original:좀비딸
Ano de lançamento:2025
Direção:Pil Gam-Sung
Elenco:Jo Jung-suk, Choi Yoo-ri, Lee Jung-eun, Yoon Kyung-ho e Cho Yeo-jeong
Estúdio:Next Entertainment World e Studio N
Duração:114 min
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