A seguir, você vai conhecer alguns desses episódios, todos reais, por mais inacreditáveis que pareçam.

O casal de astros sequestrado para fazer filmes na Coreia do Norte

Kim Jong Il era obcecado por cinema. O então líder norte-coreano tinha uma coleção de cerca de 20 mil filmes e, em 1978, decidiu usar a paixão pela sétima arte de uma forma bastante inesperada: sequestrar dois dos maiores nomes do cinema sul-coreano.

A primeira foi Choi Eun Hee, uma das atrizes mais famosas da Coreia do Sul na época. Ela viajou a Hong Kong para conversar sobre um possível trabalho, mas o convite era uma armadilha: agentes norte-coreanos a sequestraram e a levaram para o país.

Seis meses depois, o ex-marido dela, Shin Sang Ok, um dos diretores mais importantes do cinema sul-coreano, também foi sequestrado. Ele havia ido a Hong Kong procurar Choi.

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Os dois passaram anos sem saber que o outro também estava na Coreia do Norte. Em 6 de março de 1983, Kim Jong-il organizou uma festa e colocou Eun Hee e Sang Ok frente a frente. Foi assim que Choi descobriu que o ex-marido também havia sido levado para o país. No mês seguinte, os dois se casaram novamente, dessa vez na Coreia do Norte.

Depois disso, foram obrigados a trabalhar na indústria cinematográfica norte-coreana. Em apenas dois anos, produziram 17 filmes, entre eles “Pulgasari”, de 1985, uma espécie de versão norte-coreana de “Godzilla”.

Mas havia um plano por trás de tudo: ganhar a confiança de Kim Jong Il para conseguir sair do país.

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Durante o período em que estavam sob controle norte-coreano, Choi e Shin fizeram gravações secretas das conversas com Kim, justamente para ter provas do que havia acontecido caso conseguissem escapar. Em uma delas, o próprio líder explica que perguntou quem era o melhor diretor da Coreia do Sul e ordenou: “Tragam ele aqui”.

Em 1986, durante uma viagem a Viena para um festival de cinema, surgiu a oportunidade. Os dois conseguiram despistar os seguranças, pegaram um táxi e correram até a Embaixada dos Estados Unidos, onde pediram proteção. Depois de oito anos, a história que parecia roteiro de espionagem finalmente chegou ao fim.

O rei de Goryeo que se relacionava com homens da corte

Gongmin foi o 31º rei de Goryeo, reino que existiu na Península Coreana entre 918 e 1392. Entre os registros da época, uma história chama atenção até hoje: o fato do rei ter relacionamentos com homens. Isso aconteceu depois da morte de sua esposa, a princesa Noguk, com quem tinha muita proximidade. Após cerca de 15 anos sem filhos, ela engravidou, mas morreu durante o parto, em 1365, e o bebê também não sobreviveu.

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É nesse contexto que surgem os relatos sobre a relação com outros homens. Em 1372, Gongmin criou a Jajewi, uma espécie de guarda pessoal formada por jovens de famílias nobres. Segundo a fonte histórica, alguns passaram a servi-lo constantemente nos aposentos reais, e o registro descreve relações íntimas e sexuais entre eles e o rei.

Entre eles estava Kim Heung Gyeong, que, segundo os registros, conquistou o favor de Gongmin por meio do “Yongyang”, termo usado na época para relações entre homens. Ele passou a servir o rei e, em poucos meses, ascendeu na hierarquia da corte, chegando a ocupar cargos importantes.

Mas a história tomou um rumo ainda mais trágico. Gongmin teria ordenado que integrantes da Jajewi mantivessem relações sexuais com mulheres da corte para gerar um filho que pudesse ser reconhecido como herdeiro. Uma delas engravidou de Hong Ryun, membro da guarda pessoal.

O rei ficou satisfeito com a gravidez, mas, ao descobrir que Hong Ryun era o pai, decidiu matá-lo e eliminar os demais envolvidos para impedir que a verdadeira paternidade fosse revelada. Porém, antes que pudesse fazê-lo, em 1374, Hong Ryun e o eunuco Choe Man Saeng se uniram e assassinaram o rei.

É importante lembrar que esses relatos vêm da História de Goryeo, compilada após a queda do reino. O texto descreve os relacionamentos de Gongmin com os homens da Jajewi de forma moralmente condenatória. Por isso, os relatos sobre a vida íntima devem ser lidos com cautela, já que misturam acontecimentos históricos e julgamentos feitos posteriormente.

O avião sequestrado que deveria ir para a Coreia do Norte

O voo da Korean Air seguia normalmente de Gangneung para Seul na manhã de 23 de janeiro de 1971, até que uma granada explodiu no corredor e abriu um buraco no chão da aeronave. Antes que os passageiros pudessem entender o que havia acontecido, uma segunda explosão atingiu a cabine de comando. Em poucos minutos, aquele que deveria ser um voo doméstico havia se transformado em uma tentativa de sequestro com destino à Coreia do Norte.

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Com uma terceira granada nas mãos, Kim Sang Tae, responsável pelo sequestro, invadiu a cabine e ordenou que o capitão Lee Gang Heun, o copiloto Park Wan Gyu e o piloto estagiário Jeon Myeong seguissem para o norte. Aos passageiros, anunciou: “Vou lhe mostrar uma visão de Pyongyang que o dinheiro não pode comprar”, segundo o Korea JoongAng Daily.

O capitão tentou enganá-lo, desviando o avião para leste e planejando pousar em Ganseong. Kim, porém, conhecia a região e percebeu a farsa, obrigando-o a retomar a rota para o norte.

Enquanto isso, o oficial de segurança Choi Cheon Il o observava armado. Perto da fronteira, dois caças sul-coreanos apareceram e dispararam tiros de advertência. Para manter o sequestrador enganado, o capitão disse que eram aeronaves norte-coreanas. A comissária Choi Seok também anunciou pelo interfone que estavam na Coreia do Norte e pediu aos passageiros que rasgassem os documentos pessoais.

Quando Kim se virou para olhar os caças, Choi Cheon Il atirou e o matou. Mas uma granada sem o pino de segurança ainda estava no chão. Jeon Myeong se lançou sobre ela para proteger os passageiros e ficou gravemente ferido. Os pilotos retomaram o controle e pousaram em segurança na praia de Chodo-ri. Dezessete pessoas ficaram feridas. Jeon morreu a caminho do hospital e foi, posteriormente, sepultado no Cemitério Nacional de Seul.

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Os motivos do sequestro nunca foram esclarecidos. As suspeitas de que Kim tivesse ligação com Pyongyang ou pretendesse desertar nunca foram comprovadas. Depois do episódio, alguns passageiros retornaram à Coreia do Sul, mas outros, incluindo os dois pilotos, nunca voltaram.

A Coreia do Norte afirma que permaneceram no país por vontade própria. Em 2024, a história do voo F27 chegou aos cinemas com “Sequestro 1971” (“Hijack 1971”), dirigido por Kim Sung Han. O filme reconstitui o sequestro e os acontecimentos daquele dia, levando para as telas uma história que permaneceu durante décadas marcada por perguntas ainda sem resposta.

O elefante que foi “julgado” e exilado por cometer um crime

O episódio foi registrado nos Anais do Rei Taejong, um dos registros históricos oficiais de Joseon. Tudo começou em 1411, quando o rei do Japão enviou um emissário a Joseon com um elefante como presente. O animal era uma novidade no reino e chamava atenção por onde passava — inclusive pelo enorme apetite.

Histórias
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Em 1412, um funcionário foi vê-lo, zombou da aparência do animal, chamou-o de “besta estranha” e cuspiu nele. O elefante reagiu e o esmagou até a morte.

No ano seguinte, o caso chegou às autoridades. Foi aí que a história ficou inusitada: os oficiais chegaram a discutir o caso à luz das leis de Joseon. Se um humano matasse outra pessoa, poderia ser condenado à morte. Então, o que fazer com um elefante que havia matado um homem?

A solução não foi executá-lo, mas também não foi deixá-lo livre. Considerando ainda o enorme custo da alimentação, as autoridades decidiram enviá-lo para uma ilha na província de Jeolla. Na prática, o elefante acabou “exilado” pelo crime que cometeu.

Em 1414, ele foi levado para a ilha de Jangdo, mas não se adaptou. Recusava a vegetação local, perdeu peso e, segundo os registros, chorava ao ver pessoas. Com pena do animal, Taejong ordenou que ele fosse levado de volta ao continente e que procurassem um local com água, vegetação e espaço suficiente para que pudesse viver. Depois, o elefante foi levado para um pasto e passou a ser tratado com mais cuidado. A partir daí, os registros deixam de mencioná-lo.

O cientista que enganou o mundo, mas realmente clonou um cachorro

Em 2004, o sul-coreano Hwang Woo Suk virou uma celebridade científica ao anunciar algo que parecia ter saído de um filme: sua equipe havia conseguido clonar um embrião humano e produzir células-tronco.

Células-tronco são como células que ainda não decidiram o que vão ser quando crescer, elas podem virar células do sangue, músculos ou cérebro. A esperança era usá-las para reparar partes do corpo danificadas.

No ano seguinte, Hwang anunciou ter produzido 11 conjuntos dessas células personalizados para pacientes. Só tinha um detalhe: Hwang estava mentindo.

Uma investigação descobriu que os resultados haviam sido fraudados. O escândalo cresceu quando veio à tona que mais de 2.200 óvulos, de 119 mulheres, haviam sido usados nas pesquisas, com denúncias envolvendo pesquisadoras e doadoras remuneradas.

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Meses antes, Hwang havia apresentado Snuppy, o primeiro cachorro clonado do mundo. Depois da fraude, veio a pergunta: o cachorro também era mentira?

Clonar um cachorro significava tentar criar uma espécie de cópia genética de outro animal. Usaram uma célula de um Galgo Afegão chamado Tai e fizeram 1.095 embriões e 123 tentativas.

Apenas dois filhotes nasceram. Um morreu. O outro era Snuppy. Os pesquisadores analisaram o DNA do cachorro e o compararam ao de Tai. Dessa vez, a história era verdadeira, Snuppy realmente era um clone.