Sete anos. Esse foi o tempo que o ARMY brasileiro precisou esperar para reencontrar o BTS em um palco nacional. Na noite desta quarta-feira (28), o grupo sul-coreano retornou ao Brasil com a turnê mundial ARIRANG, transformando o Estádio do MorumBIS, em São Paulo, em uma verdadeira celebração de sua trajetória.
Diante de um público que ultrapassou 81 mil pessoas, número destacado pelo próprio J-Hope durante a apresentação, RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook mostraram que a espera valeu a pena. Com um repertório que passeou por diferentes momentos da carreira, performances intensas e muita interação com os fãs, o BTS entregou um espetáculo capaz de agradar tanto quem acompanha o grupo desde seus primeiros lançamentos, quanto quem chegou recentemente ao universo dos sete integrantes.

Mas nem tudo foi motivo de comemoração. Enquanto o grupo demonstrou profissionalismo e carinho pelo público brasileiro, a organização do evento acumulou inúmeras críticas relacionadas às filas, ao acesso ao estádio e à suposta superlotação relatada pelos fãs. O baque final veio faltando minutos para o início do show em que foi anunciando que a volta em torno do estádio durante “IDOL” não iria acontecer, diferentemente do que foi visto em outros países da turnê, o que gerou um coro de revolta à produtora Live Nation Brasil.
Um espetáculo para todos os gostos
Se existe algo que o BTS conseguiu demonstrar em seu retorno ao Brasil, foi a versatilidade musical que construiu ao longo de sua trajetória. A apresentação começou com a força de “Hooligan”, seguida por “Aliens” e “Run BTS”, estabelecendo o ritmo de uma noite marcada por coreografias clássicas, efeitos visuais e muita energia em um palco 360º. A partir dali, o público embarcou em uma viagem pelas diferentes sonoridades que ajudaram a transformar o grupo em um dos maiores fenômenos da música mundial.
E teve espaço para praticamente tudo.
Os fãs que preferem o lado mais intenso do BTS encontraram motivos de sobra para comemorar com “Not Today”, “FIRE” e “IDOL”. Já aqueles que se identificam com a sensibilidade artística e as performances mais dramáticas do grupo foram presenteados com “Black Swan”, uma das músicas surpresa da noite.
Outra surpresa foi “Silver Spoon (Baepsae)”, faixa que resgata a identidade mais irreverente do grupo e que, naturalmente, levou o público à loucura.
Vale ressaltar a coincidência das m´usicas escolhidas pelo DJ considerando o período político do país, uma vez que ambas as músicas foram utilizadas por fãs como crítica à candidatura de Flávio Bolsonaro, candidado do PL que perdeu as eleições presidenciais, por conta das letras políticas ou o que eles lembravam de sonoridade. Além disso, antes mesmo do show começar, pudemos ouvir gritos de apoio ao Lula, reeleito presidente do Brasil no último domingo, 25, misturados com leques de todas as cores.

Mas o espetáculo não ficou restrito às músicas mais antigas. Faixas da era “ARIRANG“, como “SWIM”, “Body to Body” e “FYA”, mostraram a evolução musical dos integrantes e reforçaram que o BTS continua explorando novas possibilidades sonoras. Para completar, sucessos como “Butter” e “Dynamite” garantiram momentos de pura diversão.
O resultado foi um show que conseguiu equilibrar nostalgia e novidade, intensidade e leveza, emoção e descontração. Uma apresentação que não pareceu interessada em privilegiar apenas uma fase da carreira, mas em celebrar tudo aquilo que o BTS construiu até aqui.
E talvez esse tenha sido um dos maiores acertos da noite: o grupo conseguiu fazer um espetáculo para diferentes gostos musicais e públicos sem perder a própria identidade.
Sete anos depois, o carinho continua o mesmo
Se as performances impressionaram, as interações entre os integrantes e o público brasileiro foram igualmente marcantes.
Durante a apresentação, os sete demonstraram entusiasmo pelo reencontro e não economizaram esforços para se comunicar em português. Entre brincadeiras, declarações e tentativas de reproduzir expressões brasileiras, o BTS mostrou estar bastante à vontade diante do ARMY.
RM destacou o significado de retornar ao país depois de sete anos. O intervalo desde a última passagem do grupo, em 2019, tornou o reencontro ainda mais especial, tanto para os artistas quanto para os fãs que aguardaram tanto tempo por esse momento.
J-Hope, por sua vez, demonstrou surpresa com a dimensão do público presente. Durante seu discurso, o integrante comentou que havia descoberto que a plateia daquela noite ultrapassava 81 mil pessoas, agradecendo pela recepção calorosa dos brasileiros.
O número impressiona, mas não surpreende quem acompanha a relação do BTS com o país. Afinal, mesmo após tantos anos de ausência, o grupo encontrou um estádio tomado por fãs dispostos a cantar, dançar e demonstrar que a conexão permanece tão forte quanto antes.
Suga também deixou uma declaração que certamente alimentará as expectativas para os próximos anos. Ao comentar sobre o tempo que o grupo ficou longe do Brasil, o integrante reconheceu que deveriam visitar o país com mais frequência e demonstrou a intenção de mudar essa situação.

O carinho apareceu ainda em outros momentos. V divertiu o público ao arriscar expressões brasileiras, enquanto Jungkook celebrou a oportunidade de fazer daquela noite uma ocasião especial. Jimin também demonstrou felicidade por finalmente viver aquele reencontro.
Entre discursos emocionados e brincadeiras, ficou evidente que a saudade não era exclusiva dos fãs. Para quem esperou sete anos por esse reencontro, ouvir que o BTS deseja voltar mais vezes foi um dos grandes presentes da noite.
Um estádio inteiro cantando junto
Outro destaque da noite foi a participação do público.
A força do ARMY brasileiro já é conhecida por artistas internacionais, mas o que aconteceu no MorumBIS reforçou essa reputação. Mesmo diante da chuva que marcou o dia, milhares de fãs transformaram o estádio em um espetáculo à parte.

Um dos momentos mais simbólicos aconteceu durante “Body to Body”, quando o público acompanhou o trecho de “Arirang”, canção tradicional coreana que inspirou o título do novo álbum. A cena ganhou um significado especial: milhares de brasileiros cantando uma melodia profundamente ligada à identidade cultural da Coreia do Sul.
Também houve espaço para a descontração, com os integrantes reproduzindo passos de danças brasileiras, como o passinho do Jamal e se divertindo com a reação do público. O BTS entregou energia, emoção, técnica e carisma. O ARMY respondeu com uma recepção à altura.
O BTS entregou o espetáculo. A organização, nem tanto.
Infelizmente, a experiência de assistir ao retorno do BTS ao Brasil não foi positiva para todos.
Se dentro do estádio o grupo entregou uma apresentação memorável, do lado de fora a realidade foi bastante diferente. A organização do evento, sob responsabilidade da Live Nation Brasil, foi alvo de críticas por parte dos fãs, especialmente em relação à estrutura de acesso ao MorumBIS.
Filas quilométricas, sinalização insuficiente, dificuldades para identificar os acessos corretos e falta de orientação adequada fizeram parte dos relatos de quem precisou enfrentar horas de espera, muitas vezes sob chuva, para assistir à apresentação.

A situação se tornou ainda mais preocupante diante de denúncias de superlotação e problemas relacionados à quantidade de ingressos disponibilizados para determinados setores, o que pode ter impactado na performance de “IDOL” no palco, sem a tão aguardada volta pelo estádio e já com a estrutura de telões reduzidos, de 12 para 4 apenas, o “cubo”, como foi apelidado.
Fãs relataram dificuldades para acessar o interior do MorumBIS mesmo possuindo ingressos válidos. Houve ainda registros de fechamento temporário de portões após a abertura, aglomerações e problemas com a disponibilização de ingressos digitais do camarote Stadium que travaram as filas.





Esses episódios levantam questionamentos importantes sobre o planejamento da operação e a capacidade de atendimento ao público, ainda mais envolvendo a segurança de tantas pessoas.
É necessário esclarecer, inclusive, se houve casos de overbooking, ou seja, a comercialização de ingressos acima da capacidade disponível. Embora os relatos de superlotação e impedimento de acesso sejam graves, a ocorrência de overbooking ainda depende de confirmação.
A Live Nation Brasil informou à imprensa que havia disponibilizado estrutura de apoio e centenas de orientadores para auxiliar nas filas. Entretanto, os problemas relatados por fãs e registrados por veículos de comunicação demonstram que as medidas adotadas não foram suficientes para garantir uma experiência adequada a todos.
E aqui precisamos ser enfáticos: não é aceitável que fãs que investiram tempo, dinheiro e expectativas para viver um momento tão importante sejam submetidos a esse nível de desorganização.
Estamos falando de um evento de grande porte, planejado com antecedência e realizado por uma produtora internacional com experiência na organização de grandes espetáculos. Garantir informações claras, fluxos de entrada adequados, respeito à capacidade dos setores e condições seguras de acesso não deveria ser um diferencial. Deveria ser o mínimo.
Também não podemos ignorar que muitos fãs viajaram de outros estados, enfrentaram gastos elevados com transporte e hospedagem e organizaram suas vidas em torno dessas apresentações. Para essas pessoas, a experiência começa muito antes de o primeiro integrante subir ao palco. E é justamente por isso que os problemas enfrentados do lado de fora não podem ser tratados como detalhes secundários.



Com outras duas apresentações programadas para os dias 30 e 31 de outubro, é indispensável que a produtora reavalie imediatamente sua operação, esclareça os relatos de superlotação e apresente soluções concretas para evitar que as mesmas situações se repitam.
O BTS demonstrou, mais uma vez, por que conquistou uma base de fãs tão apaixonada no Brasil. Entregou um espetáculo grandioso, celebrou sua história e deixou aberta a possibilidade de novos reencontros.
O que não pode acontecer é que o carinho dos fãs pelos artistas continue sendo usado como justificativa para normalizar experiências ruins na organização de grandes eventos. O ARMY brasileiro fez sua parte. O BTS também. Agora, cabe à produtora demonstrar o mesmo respeito por quem tornou essa noite possível.
Acompanhe a cobertura no Instagram e compartilhe sua opinião sobre o show!
