Muitas vezes, quando pensamos em repertórios socioculturais para a redação, lembramos de citações filosóficas, livros clássicos e filmes famosos. Mas a verdade é que um bom repertório não precisa se limitar às mesmas referências de sempre! Dramas, animes e músicas também podem trazer reflexões importantes e fortalecer sua argumentação.

Confira algumas obras asiáticas que podem ir muito além do entretenimento e se tornar grandes aliadas na hora de construir seus argumentos sobre diferentes temas de redação para o ENEM.

Feminicídio e violência de gênero

O drama acompanha Kang Ji Won, uma mulher que descobre a traição do marido com a melhor amiga de longa data enquanto enfrenta um câncer terminal. Durante uma discussão entre os três, ela acaba sendo assassinada pelo marido. Após voltar dez anos no passado, ganha a oportunidade de mudar o próprio destino e passa a enxergar de outra forma as situações de abuso, manipulação e controle presentes no relacionamento e na amizade.

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Nesse sentido, a obra ilustra como a violência contra a mulher pode começar com controle, ameaças e abusos, chegando a consequências extremas. A história também ajuda a refletir sobre o ciclo da violência e como relações abusivas podem ser difíceis de romper, evidenciando que o feminicídio não surge de forma isolada, mas pode ser resultado de uma sequência de agressões e desigualdades de gênero.

Na redação do ENEM, o enredo pode ser mobilizado para discutir a urgência de fortalecer as redes de proteção às mulheres e de garantir uma atuação preventiva do Estado, combatendo o feminicídio antes que a situação se agrave.

Transporte público de qualidade

O drama acompanha os irmãos Chang Hee, Mi Jeong e Ki Jeong, que vivem em Sanpo, cidade fictícia que fica em uma região afastada de Seul. Todos trabalham na capital e enfrentam longos deslocamentos diários, saindo cedo de casa e voltando tarde da noite. A rotina cansativa faz com que sintam que boa parte da vida é consumida entre o trabalho e o caminho de volta para casa. É nesse contexto que eles criam o “Clube da Libertação”, na tentativa de escapar da monotonia e encontrar mais sentido para a vida.

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Embora a narrativa não critique diretamente a qualidade do transporte público, ele ajuda a mostrar como os longos deslocamentos afetam a qualidade de vida. O tempo gasto entre a casa e o trabalho pode reduzir as horas disponíveis para descansar, estudar, ter momentos de lazer e conviver com a família.

A rotina dos irmãos representa o movimento pendular, que é o deslocamento diário entre a casa e o trabalho ou local de estudo. Nas grandes cidades, muitas pessoas moram longe dessas regiões devido ao custo elevado da moradia ou à falta de opções acessíveis. Esse cenário mostra como a distância entre casa e trabalho pode reduzir o tempo de descanso, lazer e convivência familiar, prejudicando a qualidade de vida.

Na redação, o repertório pode ser usado para defender que a mobilidade urbana não envolve apenas chegar ao destino, mas também garantir que as pessoas tenham tempo e condições para viver além do trabalho. Por isso, investimentos em transporte público eficiente, acessível e integrado ao planejamento urbano são importantes para reduzir o desgaste dos deslocamentos e ampliar o acesso à cidade.

Economia ilegal, corrupção e fraudes

A história acompanha Vincenzo Cassano, um advogado sul-coreano criado na Itália que trabalha para a máfia italiana. Ao retornar à Coreia do Sul para recuperar um tesouro escondido em um prédio, ele se envolve em um conflito contra o Babel Group, um poderoso conglomerado empresarial envolvido em práticas criminosas. A produção permite discutir corrupção e concentração de poder, mostrando como grandes empresas podem manipular a justiça e como Vincenzo, diante disso, recorre a métodos pouco convencionais para combater os criminosos usando estratégias semelhantes às deles.

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Para além do enredo de ação, a série expõe como a economia ilegal pode envolver desde organizações criminosas e grandes empresas até golpes que exploram a confiança das pessoas. O repertório ajuda a entender que a criminalidade está ligada muitas vezes à corrupção, à busca por lucro e ao abuso de poder, que podem dificultar a aplicação da justiça. Ele pode ser usado para discutir a corrupção, as fraudes financeiras e a fragilidade das instituições. Também permite defender que o combate à economia ilegal exige não apenas segurança pública, mas fiscalização eficiente, punição dos responsáveis e proteção da população contra organizações criminosas.

Esporte e inclusão de mulheres

Na história, acompanhamos Na Hee Do, uma jovem apaixonada por esgrima que luta para realizar seu sonho, mesmo diante das dificuldades causadas pela crise financeira da Coreia do Sul no final dos anos 1990. Ao longo da trama, a relação entre Na Hee Do e Ko Yu Rim, rivais no esporte, mostra como a competição envolve não apenas o desempenho dos atletas, mas também expectativas, cobranças e desafios pessoais. A trajetória das duas permite refletir sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conquistar espaço e reconhecimento no meio esportivo.

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O esporte vai além da competição, contribuindo para a formação pessoal e a inclusão social. No entanto, a participação feminina ainda enfrenta barreiras, como a desigualdade de oportunidades, a falta de incentivo e os padrões de beleza e feminilidade impostos pela sociedade. Essas cobranças podem fazer com que meninas e mulheres precisem lidar não apenas com os desafios próprios da modalidade, mas também com julgamentos sobre aparência, comportamento e capacidade.

Nesse contexto, “Vinte e Cinco, Vinte e Um” pode ser utilizado para discutir a importância de garantir condições para que meninas e mulheres pratiquem esportes, desenvolvam suas habilidades e tenham as conquistas reconhecidas.

Proteção juvenil no ambiente digital

O k-drama acompanha Koo Ae Jin, uma estudante que sofre bullying na escola por causa da aparência. Para escapar da rejeição que enfrenta na vida real, ela cria uma segunda identidade nas redes sociais: Genie, uma influenciadora popular com centenas de milhares de seguidores. Com maquiagem e edição de fotos, Ae Jin transforma a própria imagem e recebe na internet a aprovação que não encontra pessoalmente. Porém, a vida dupla da estudante se torna uma fonte de medo quando alguém descobre quem ela realmente é e ameaça revelar o segredo.

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Assim, a narrativa permite discutir como a busca por aprovação nas redes sociais pode afetar a autoestima e a saúde mental dos jovens. Enquanto recebe elogios como Genie, a protagonista continua sofrendo com a rejeição na vida real, mostrando como a diferença entre a imagem digital e a própria aparência pode aumentar a insegurança e a dependência da validação alheia. O drama também aborda a pressão para corresponder aos padrões de beleza e o bullying, que não desaparecem com a popularidade virtual.

Além disso, quando a identidade de Ae Jin é descoberta, ela passa a enfrentar ameaças, o que permite discutir privacidade, exposição e segurança no ambiente digital. Essa situação pode ser relacionada aos riscos que crianças e adolescentes enfrentam na internet, como cyberbullying, chantagem e contato com pessoas mal-intencionadas.

Inclusão para neurodivergentes

A obra acompanha Moon Gang Tae, um cuidador que trabalha em uma ala psiquiátrica, e Ko Moon Young, uma escritora de livros infantis que enfrenta dificuldades emocionais. Um dos personagens centrais é Moon Sang Tae, irmão mais velho de Gang Tae, que é autista. O personagem enfrenta dificuldades em algumas interações sociais e situações de preconceito, enquanto também demonstra talento para a ilustração e, ao longo da história, conquista mais independência, passando a tomar decisões sobre a própria vida.

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A trajetória de Sang Tae permite discutir o capacitismo, que é o preconceito contra pessoas com deficiência, baseado na ideia de que elas são incapazes ou inferiores. Ao longo do drama, Sang Tae enfrenta dificuldades nas interações sociais e precisa do apoio do irmão mais novo, Gang Tae, que assume a responsabilidade de cuidar dele.

No final da história, ele aceita um trabalho como ilustrador de livros infantis e decide construir o próprio caminho. Essa mudança questiona a ideia de que pessoas autistas devem ser sempre dependentes e evidencia que precisar de apoio não significa ser incapaz de tomar decisões ou ter autonomia.

A história também permite discutir como a superproteção pode limitar as escolhas de uma pessoa quando os outros decidem por ela sem considerar o que deseja e é capaz de fazer . Essa reflexão pode ser ampliada para pessoas neurodivergentes e com deficiências invisíveis, cujas necessidades nem sempre são compreendidas. Pessoas com TDAH ou dislexia, por exemplo, podem precisar de adaptações na escola, na universidade ou no trabalho, mas acabam sendo julgadas como desatentas ou pouco capazes.

Por isso, inclusão não significa fazer tudo pela pessoa nem exigir que ela enfrente todas as dificuldades sozinha, mas sim oferecer o suporte necessário, respeitar as escolhas e garantir oportunidades para que desenvolva seu potencial.

IA e impactos na sociedade

O k-drama acompanha Han So Yeon, uma mulher que tem dificuldade para reconhecer rostos e, por isso, vive de forma isolada. A rotina da protagonista muda quando ela conhece Holo, uma inteligência artificial em forma de holograma, criada para auxiliar e acompanhar seu usuário. Com a ajuda dele, So-yeon passa a enfrentar algumas dificuldades e se aproximar de outras pessoas. Porém, a tecnologia também desperta o interesse de empresas que desejam controlar seu desenvolvimento, levantando questões sobre privacidade, segurança e interesses comerciais.

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A premissa da história explora a linha tênue entre os benefícios da tecnologia e os riscos do isolamento. A tecnologia ajuda a protagonista em situações cotidianas e oferece apoio diante das dificuldades, mostrando como a IA pode facilitar tarefas e ampliar possibilidades. Ao mesmo tempo, a relação levanta uma reflexão: até que ponto uma máquina pode oferecer companhia sem substituir os vínculos humanos?

Outro ponto importante é a disputa pelo controle de Holo. O interesse das empresas na tecnologia permite discutir como a busca pelo lucro pode entrar em conflito com a privacidade e a segurança dos usuários. Essa questão se relaciona ao uso de dados pessoais e à necessidade de regras para o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial.

Assim, “Holo, Meu Amor” ajuda a discutir a relação entre seres humanos e inteligência artificial, mostrando que a inovação tecnológica precisa ser acompanhada de responsabilidade.

Juventude, educação e autonomia

Lançada em 2013, “No More Dream” é uma música do BTS que questiona as expectativas impostas aos jovens pela família e pela sociedade. A letra provoca os ouvintes a refletirem sobre seus próprios sonhos e critica a pressão para seguir um caminho considerado ideal, como estudar para conseguir um emprego estável e alcançar o sucesso segundo padrões estabelecidos por outras pessoas. A música também questiona uma rotina em que os jovens passam tanto tempo estudando e buscando aprovação que podem acabar sem espaço para descobrir o que realmente desejam para o futuro.

A letra da música permite discutir como as expectativas familiares e sociais podem influenciar as escolhas dos jovens, especialmente na educação e na carreira profissional. Embora estudar e se preparar para o vestibular sejam importantes para ampliar oportunidades, o problema surge quando o jovem sente que precisa seguir um único caminho para ser considerado bem-sucedido, sem poder questionar as próprias vontades ou explorar outros interesses. Nesse sentido, “No More Dream” defende simbolicamente o direito de construir os próprios sonhos, experimentar possibilidades e até mudar de ideia.

O repertório também pode ser relacionado à importância de uma educação que desenvolva o pensamento crítico e a autonomia. Mais do que preparar os estudantes para provas, a educação pode ajudá-los a compreender a sociedade, refletir sobre escolhas e tomar decisões conscientes sobre o futuro. Assim, o objetivo não é desvalorizar os estudos ou os vestibulares, mas garantir que os jovens tenham condições de entender por que estudam, reconhecer seus interesses e participar ativamente da construção de seus projetos de vida.

Jogos de aposta e proteção social

O anime e mangá “Kakegurui” se passa em uma escola de elite frequentada por filhos de famílias ricas e influentes. Nesse ambiente, os estudantes são avaliados não apenas por seu desempenho acadêmico, mas também por habilidades em jogos de aposta. Quem perde e acumula dívidas pode sofrer humilhações e perder a posição social, enquanto os alunos mais poderosos utilizam as regras dos jogos para controlar os demais. A história mostra como as apostas deixam de ser uma simples diversão e passam a determinar as relações de poder dentro da escola.

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Ao transformar salas de aula em cassinos de alta pressão, o enredo permite discutir como os jogos de aposta podem ultrapassar o entretenimento e se transformar em instrumentos de endividamento, manipulação e desigualdade. Na história, quem perde dinheiro fica em uma posição de desvantagem e passa a sofrer as consequências das dívidas, enquanto os estudantes mais poderosos se beneficiam desse sistema. Essa dinâmica ajuda a refletir sobre como as apostas podem afetar a vida financeira e as relações sociais, especialmente quando os riscos são minimizados ou o jogo é tratado como uma forma fácil de ganhar dinheiro.

O repertório também pode ser relacionado à expansão das apostas na internet, que facilita o acesso aos jogos de azar e levanta preocupações sobre dependência, perdas financeiras e publicidade que promete ganhos rápidos. Embora o universo de “Kakegurui” seja fictício e exagerado, ele ajuda a questionar a ideia de que apostar é sempre uma escolha sem consequências para o indivíduo e para quem está ao seu redor. Por isso, é importante discutir a responsabilidade das plataformas, a regulamentação das apostas e a proteção de pessoas vulneráveis, além da conscientização sobre os riscos do jogo.

Meio ambiente e mudanças climáticas

Escrita por Bang Chan e Felix, integrantes australianos do Stray Kids, “FNF” foi inspirada nos incêndios florestais que atingiram a Austrália entre 2019 e 2020, conhecidos como Black Summer. A música expressa sentimentos de luto, saudade e impotência diante da destruição da flora e da fauna, relacionando a perda de espécies e habitats à dor de perder algo importante.

A canção traduz como as calamidades ambientais vão além dos prejuízos materiais. A destruição de áreas naturais provoca a perda de espécies, ameaça a biodiversidade e compromete os habitats de diferentes seres vivos, além de afetar emocionalmente as pessoas que presenciam a devastação de seus territórios.

Por isso, “FNF” pode ser utilizada em redações sobre mudanças climáticas, preservação da biodiversidade, destruição de habitats e consequências das calamidades ambientais. O repertório ajuda a mostrar que proteger o meio ambiente não significa apenas preservar paisagens, mas também garantir a sobrevivência das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas.

Essas produções e muitas outras podem te ajudar na hora de escrever a redação do ENEM!

Afinal, nossos hobbies também podem ir além do entretenimento: eles podem ampliar nosso olhar sobre o mundo, estimular o pensamento crítico e nos ajudar a construir argumentos sobre questões importantes para a sociedade.