Na última semana, vimos a movimentação de vários perfis de fandoms de k-pop se posicionando abertamente nas redes sociais sobre o segundo turno das eleições para presidente em 2026. E também não faltaram comentários contrários a esta movimentação, inclusive, afirmando que fandom e k-pop não deveriam ser misturados com política.
Mas a verdade é que há muito tempo os fandoms apoiam e se manifestam a favor de causas políticas, usando sua coordenação digital para engajar a favor de ampliar pautas como o combate ao machismo, ao racismo e o apoio à comunidade LGBTQIAPN+.
Existem diversos exemplos claros da importância do engajamento dessas bases em atos políticos ao redor de todo o mundo.
Contra o racismo

Como o episódio de “spam de fancams“, quando os kpoppers, durante o movimento “Black Lives Matter” em 2020 nos EUA, inundaram o canal do Departamento de Polícia da cidade de Dallas com fancams, dificultando o rastreio de manifestantes nos protestos.
Pela igualdade de gênero

Ou nas Filipinas, com fandoms se movimentando em prol de projetos sobre a igualdade de gênero em 2023, e nos protestos contra o escândalo de corrupção no governo em 2025.
Pela democracia

Ou mesmo, quando os próprios sul-coreanos, com seus lightsticks, entoaram “Into the New World” do Girls’ Generation, nos protestos exigindo o impeachment de dois presidentes: Park Geun-hye em 2016 e Yoon Suk-yeol em 2024.
Pelo planeta
No Brasil não seria diferente: vários fandoms promovem e auxiliam, todos os anos, diversos projetos políticos e sociais, como a participação do coletivo brasileiro ARMY Help The Planet (AHTP) no painel que discutiu o papel da cultura no combate às mudanças climáticas, na COP 30, que ocorreu no final do ano passado.
Por mais que se propague uma ideia de imparcialidade nos fandoms, é uma ação impossível de ser praticada, afinal, como já dizia Aristóteles: “O homem é um animal político por natureza“.
Ou seja, vivemos melhor em coletivo e, para que essa coletividade exista, é preciso abraçar causas que não dizem respeito somente ao “eu”, mas apoiar propostas que visem garantir a plenitude da vida, da segurança e do bem-estar de todos, igualmente. Assim fica claro que o fandom também pode ser ativista.



