A passagem do BTS pelo Brasil está cada vez mais próxima. Neste mês, o grupo sul-coreano desembarca em São Paulo para três apresentações da BTS WORLD TOUR “ARIRANG”, que marca o retorno aos palcos como grupo completo após anos de atividades individuais. O BTS, que estreou em 13 de junho de 2013 pela Big Hit Entertainment, chega ao país 13 anos depois com uma carreira muito diferente daquela do início.

No k-pop, cada nova era pode transformar não apenas a música, mas também os conceitos, videoclipes, figurinos e histórias contadas pelos artistas. Com o BTS não foi diferente. Antes de se tornar um fenômeno global, o grupo passou por diferentes fases, experimentou novos conceitos e se reinventou ao longo dos anos.

Ao longo desses 13 anos, essas transformações ajudaram a construir o BTS que conhecemos hoje. Do debut ao retorno em 2026, confira as eras que marcaram a trajetória do grupo.

SCHOOL TRILOGY — o começo de uma jornada

A primeira fase do BTS ficou conhecida como School Trilogy e acompanha três questões da adolescência: sonhos, felicidade e amor.

Em “2 Cool 4 Skool”, o grupo questiona as expectativas impostas aos jovens. Na faixa “No More Dream”, o BTS pergunta qual é o sonho de quem passa a vida seguindo os desejos dos pais, da escola e da sociedade, colocando em dúvida se estudar, conseguir um bom emprego e alcançar estabilidade são suficientes para garantir uma vida feliz.

“O!RUL8,2?” aprofunda essa crítica. Se antes o BTS questionava os sonhos impostos, agora mostra o que acontece quando alguém passa tanto tempo tentando corresponder às expectativas dos outros que deixa de descobrir o próprio caminho. A faixa “N.O” rejeita uma vida baseada apenas em notas, dinheiro e sucesso.

Em “Skool Luv Affair”, o foco muda para o amor. “Boy In Luv” apresenta o primeiro sentimento de forma impulsiva e confusa, enquanto “Just One Day” mostra um lado mais romântico e delicado.

A trilogia termina, assim, acompanhando três momentos da adolescência: descobrir o que sonhar, questionar o caminho imposto e experimentar o primeiro amor.


“DARK & WILD” — deixando a adolescência para trás

Neste álbum, o grupo deixou os uniformes escolares e passou a explorar uma imagem mais madura, com diferentes estilos de hip-hop. A faixa-título, “Danger”, mostra essa transição. Apesar de o romance continuar presente, agora aparece acompanhado de frustração e cobrança, com uma tonalidade sonora mais agressiva.

No visual, adotam roupas largas, bonés e acessórios para construir uma imagem mais urbana e adulta. Se a School Trilogy apresentou sete jovens questionando “qual é o meu sonho?”, “DARK & WILD” começava a fazer outra pergunta: “e agora, o que acontece quando eu começo a crescer?”


HYYH — “THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE” — o lado bonito e difícil de crescer

Depois de questionar a escola, os sonhos impostos e os relacionamentos da adolescência, o BTS entra em uma nova fase: a juventude. Em “THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE”, ela aparece entre a beleza e a ansiedade, enquanto os integrantes tentam descobrir quem são e para onde estão indo.

“THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE, Pt.1” apresenta jovens que já não são crianças, mas ainda não sabem quem serão. Em “I Need U”, essa incerteza aparece em um relacionamento que machuca, mas do qual o eu lírico não consegue se afastar, mostrando a dificuldade de seguir em frente mesmo quando algo faz mal.

Já “Dope” aborda esforço e ambição. O BTS transforma as horas de ensaio e dedicação em motivo de orgulho, reafirmando o caminho que escolheu seguir.

“THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE, Pt.2” continua explorando as incertezas da juventude e a tentativa de seguir em frente mesmo sem ter todas as respostas. Na faixa “Run”, amor, dependência e desejo de continuar aparecem juntos, enquanto os integrantes seguem em frente mesmo diante das dificuldades. A juventude é apresentada, assim, como uma fase marcada por dúvidas e instabilidade, mas também pela vontade de continuar.

“THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE: YOUNG FOREVER” encerra a trilogia refletindo sobre o fim da juventude. Em “Save Me”, o BTS expressa vulnerabilidade e o desejo de encontrar alguém que os ajude a seguir em frente. Já “Fire” transforma essa intensidade em energia e celebra o presente. Em “Epilogue: Young Forever”, a juventude é apresentada como uma fase passageira. A faixa expressa o desejo de preservar sonhos, dores e experiências, mesmo após seu fim.

Nos visuais, o BTS abandona a estética escolar e adota uma imagem mais casual, jovem e melancólica, com jeans, camisetas, jaquetas e moletons. Os videoclipes exploram quartos, estradas, praias e lugares abandonados, reforçando uma atmosfera de liberdade e desorientação.


“WINGS” e “YOU NEVER WALK ALONE” — escolhas, desejos e consequências

Em “WINGS”, os integrantes passam a encarar escolhas, desejos, tentações e consequências. Na faixa “Blood Sweat & Tears”, o amor aparece como uma força de sedução à qual alguém pode se entregar mesmo sabendo que isso pode causar sofrimento. O videoclipe reforça essa ideia com ambientes luxuosos, pinturas, esculturas e referências religiosas, explorando também a perda da inocência e o confronto com os próprios desejos.

O visual acompanha essa mudança, com veludo, estampas, bordados e alfaiataria, criando uma estética clássica e teatral. A coreografia também traz uma sensualidade que ganha mais espaço na imagem do grupo.

“YOU NEVER WALK ALONE” funciona como uma extensão de “WINGS”, retomando músicas do álbum e adicionando faixas novas. O projeto amplia a narrativa para a ideia de companhia, mostrando que, mesmo diante de dúvidas, perdas e escolhas, ninguém precisa atravessar essa fase sozinho.

Em “Spring Day”, essa ideia aparece na saudade e na espera pelo reencontro. O videoclipe alterna momentos de solidão, em estações, quartos e espaços vazios, com cenas em que os integrantes voltam a se encontrar. Casacos, suéteres, jeans, tênis e tons frios completam a atmosfera nostálgica da faixa.


“LOVE YOURSELF” — aprender a amar a si mesmo

Depois de explorar a juventude, o crescimento e os conflitos pessoais, o BTS entra em uma nova narrativa: o amor. A série “LOVE YOURSELF” acompanha diferentes etapas de um relacionamento, da descoberta à separação, até chegar à ideia de amor próprio.

“Love Yourself 承 ‘Her'” apresenta uma imagem mais colorida, leve e pop, acompanhando a sensação de se apaixonar. Na faixa “DNA”, o amor aparece como algo quase inevitável, enquanto o videoclipe aposta em cores vibrantes, efeitos digitais e referências a estruturas moleculares. Os figurinos seguem a proposta, com cores fortes, estampas e peças esportivas.

Em “Pied Piper”, o BTS brinca com a própria relação com os fãs, reconhecendo que acompanhar o grupo também pode competir com outras responsabilidades.

Em “Love Yourself 轉 ‘Tear'”, o romance chega à ruptura e à dor do fim de um relacionamento. Na faixa “Fake Love”, o BTS questiona o que acontece quando alguém muda a própria identidade para manter o amor de outra pessoa. O videoclipe reforça essa ideia com espaços fragmentados, portas, quartos, água, fogo e cenários em destruição.

A estética também fica mais sombria, com cores fechadas e figurinos dramáticos. Tear aborda, assim, o conflito entre ser amado e deixar de ser quem realmente é.

“Love Yourself 結 ‘Answer'” encerra a série levando a narrativa para a ideia de amor próprio. Na faixa “Answer: Love Myself”, o BTS fala sobre reconhecer e aceitar a si mesmo. Já “IDOL” celebra a própria identidade e rejeita a necessidade de se encaixar em uma única definição. O videoclipe reforça essa mensagem com uma estética maximalista, colorida e cheia de referências à cultura coreana.

A série termina, assim, com uma mudança de perspectiva: depois de explorar a descoberta e a ruptura amorosa, “Love Yourself” chega à valorização de si mesmo.


“MAP OF THE SOUL” — por trás da própria imagem

Depois de “Love Yourself”, o BTS volta a olhar para dentro e passa da pergunta “eu me amo?” para “quem sou eu?”. Inspirada nas ideias de Carl Jung sobre persona, sombra e identidade, “Map of the Soul” explora a imagem que mostramos ao mundo e as partes que escondemos.

“Map of the Soul: Persona” inicia essa fase refletindo sobre a identidade que mostramos aos outros e sobre a imagem pública construída pelo BTS. Na faixa “Boy With Luv”, o amor aparece de forma leve, ligado à felicidade nas pequenas coisas compartilhadas com outra pessoa. O videoclipe reforça a ideia com cores vibrantes, referências retrô e a participação de Halsey.

Já “Mikrokosmos” compara cada pessoa a uma pequena luz dentro de uma cidade enorme, mostrando o indivíduo como parte de algo maior. Assim, Persona apresenta o BTS diante do mundo e da identidade que construiu ao longo da carreira.

“Map of the Soul: 7” retoma os sete anos de carreira do BTS e reflete sobre as pressões, medos e dificuldades que vieram com o crescimento. O álbum aborda a aceitação das diferentes partes da identidade, inclusive aquelas que nem sempre são mostradas ao público.

Na faixa “Black Swan”, o grupo fala sobre o medo de perder a paixão pela própria arte. O videoclipe transforma esse conflito em dança, com um teatro vazio e movimentos intensos. Já “ON” aborda as dificuldades de frente, com grandes cenários, multidões, animais, água e fogo. O visual de 7 é mais dramático, marcado por contrastes entre força e vulnerabilidade.


“BE” — encontrando motivos para continuar

Lançado durante a pandemia, “BE” deixa de lado grandes conceitos para abordar sentimentos como isolamento, tédio, saudade e ansiedade. Na faixa “Life Goes On”, o BTS fala sobre a interrupção da rotina e a passagem do tempo mesmo em meio a dias difíceis. O videoclipe reforça essa simplicidade ao mostrar os integrantes em casa, cozinhando, assistindo televisão e passando tempo juntos.

Já “Blue & Grey” aborda a tristeza e a sensação de vazio. “BE” registra, assim, um momento em que o cotidiano mudou e a necessidade de encontrar formas de continuar ganhou outro significado.


“PROOF” — uma viagem pela própria trajetória

“PROOF” não inaugura uma nova narrativa, mas revisita a trajetória do BTS. A antologia reúne músicas de diferentes momentos da carreira e, entre as inéditas, “Yet To Come (The Most Beautiful Moment)” retoma referências de “THE MOST BEAUTIFUL MOMENT IN LIFE”. O videoclipe reforça essa retrospectiva ao recriar cenários e imagens de diferentes fases do grupo.

Já “For Youth” aproxima essa memória dos fãs ao utilizar elementos de “Epilogue: Young Forever” e sons de shows do BTS. Assim, “PROOF” funciona como um registro da trajetória do grupo, reunindo diferentes momentos que ainda fazem parte da identidade.


“ARIRANG” — um novo capítulo começa

Depois de um período sem lançamentos de grupo, o BTS retorna como septeto com “ARIRANG”, iniciando uma nova etapa. Com 14 faixas e participação dos integrantes na composição e produção, o projeto reúne sentimentos e experiências acumulados ao longo da trajetória do grupo.

O próprio título faz referência à tradicional canção folclórica coreana “ARIRANG”, reforçando a conexão do retorno com a identidade cultural do país.

Por ser uma era recente, seus significados ainda estão em construção. Videoclipes, fotografias, figurinos e apresentações ajudam a revelar seus símbolos, enquanto o grupo revisita a própria trajetória sem deixar de olhar para o futuro.

De sonhos e juventude a amor, identidade e memória, cada era deixou uma marca na trajetória do BTS — e “ARIRANG” abre o próximo capítulo dessa história.