No passado presenciamos a famosa “Hallyu”, a “onda coreana”, responsável por popularizar a cultura coreana globalmente. Com o sucesso consolidado de grupos de k-pop, k-dramas e outros produtos culturais coreanos, a pergunta que pode surgir é: de onde virá a próxima onda? E talvez tenhamos na China a resposta e no “Chinamaxxing”

Nas redes sociais têm crescido cada vez mais trends que valorizam aspectos da cultura chinesa, como beber água morna, tomar chá verde, usar remédios à base de ervas, entre outros detalhes. Há também aqueles encantados pelo futurismo no qual a sociedade chinesa parece viver, com entregas feitas por meio de drones, os pagamentos que não precisam de dinheiro ou mesmo de um cartão e outras inovações.

A popularização dessas trends, apelidada de “Chinamaxxing”, tem, de certa forma, contribuído para mudar a forma como as pessoas olham para a China e a cultura do país, principalmente quando pensamos na sociedade estadunidense, visto que essa tendência tem maior público nos Estados Unidos. 

Uma explicação para isso pode ser a mesma que justifica a popularização do “Brazilcore” internacionalmente: o “American way of life”, baseado na meritocracia, por muitos anos popularizado culturalmente pelos Estados Unidos, tem, aos poucos, deixado de dialogar com as novas gerações. Assim, da mesma forma que a cultura brasileira tem sido visada e popularizada internacionalmente, o mesmo pode estar acontecendo com a cultura chinesa, à medida que as novas gerações buscam outros estilos de vida e novos modelos culturais e sociais.

chinamaxxing e brazilcore
NMIX e Pablo Vitar no Carnaval de São Paulo (2026).

A civilização chinesa é milenar, a história e a cultura do país têm raízes complexas e profundas. Por isso, especialistas e analistas alertam para a falta de conexão entre o “Chinamaxxing” e a real dimensão da cultura chinesa, visto que, as trends são em grande maioria voltados para a imagem e para a representação “aesthetic” que esses hábitos trazem. Mas acredito que isso faça parte desse processo de busca por um novo estilo de vida no qual as recentes gerações estão. 

Por outro lado, ainda que esse fenômeno possa ser passageira, não podemos negar que com o passar das décadas nossa exposição à cultura Chinesa mudou. Assim como os k-dramas se popularizaram, os c-dramas (dramas chineses) também conquistaram seu lugar sob o sol, por exemplo. 

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“Quando Se Tem Mais Uma Chance” (2025).

Segundo a plataforma de streaming VIKI, em 2025 o consumo de c-dramas entre o público brasileiro aumentou 20%, sendo que em 2025 três c-dramas ficaram no top 10 de mais assistidos do Brasil, com “A Ambição do Amor” em terceiro lugar, “Prisioneiros da Beleza” em sétimo e “A Lenda da Generala” em nono. 

Já na Netflix, o c-drama “Quando Se Tem Mais Uma Chance”, por exemplo, chegou a ocupar o top 10 diário das séries assistidas no Brasil em vários momentos de 2025. E ainda antes mesmo de finalizar o primeiro semestre de 2026, a China já emplacou o sucesso “Por Você” no top 10 das séries mais assistidas no Brasil na sua semana de estreia.  

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“Por Você” (2026).

As obras chinesas costumam se destacar das demais principalmente pela grande produção, riqueza de detalhes e, muitas vezes, pela profundidade das histórias, além, é claro, da imersão cultural que proporcionam. Por outro lado, mais recentemente, o país tem se destacado por mini dramas, obras com episódios de três minutos e enredos simples,  que têm feito um sucesso enorme em redes sociais de vídeos verticais.

Além disso, o trabalho do governo chines por trás das câmeras para aumentar a influência internacional chinesa por meio de produtos culturais, o famoso “soft power”, vem sendo um investimento a longo prazo e os c-dramas e mini dramas são apenas uma parte, principalmente quando pensamos no Brasil. 

Há anos universidades chinesas firmam parcerias com universidades brasileiras possibilitando o intercâmbio intelectual e cultural entre os dois países. Um grande exemplo disso são os Institutos Confúcio, que ofertam cursos de idioma e cultura chinesas para brasileiros com preços mais acessíveis.

Lançamento oficial do livro “O Povo Brasileiro” na China.

E o interesse é mutuo, em 2026, para comemorar o Ano Cultural China-Brasil, foi lançada a primeira edição em mandarim do livro “O Povo Brasileiro” de Darcy Ribeiro. Esse é um marco importante, pois pode ajudar os chineses, grandes parceiros comerciais do Brasil, a compreender em mais profundamente nossa história e contribuir para a troca cultural entre os dois países.

Tudo isso nos mostra que a popularização da cultura chinesa no cenário internacional não é uma surpresa, é algo que foi planejado, está sendo construído e “Chinamaxxing” é apenas um desses aspectos.