Quando fui de madrugada para o aeroporto de Florianópolis rumo ao Rio de Janeiro, sozinha, trazia comigo apenas minha mala amarela, a setlist do show em meus fones de ouvido e um sonho: ver Jackson Wang na Magic Man II. A viagem de uma hora e meia foi de olhos fechados, ao som da voz que eu ouviria mais tarde ao vivo.

Durante as horas na fila, que escolhi enfrentar mais para viver cada momento do que propriamente buscar o melhor lugar, pude conversar com várias fãs. O discurso, como muitos já sabem, se repetia: Jackson Wang, do GOT7, é “o homem 

Nem os 40 °C do Rio diminuíam o entusiasmo daquelas pessoas. Elas chegaram pela manhã e enfrentaram a fila para ver Jackson Wang, da entidade “Magic Man“, do melhor ângulo. Os portões abriram com alguns minutos de atraso e, até então, tudo bem. Mas a verdade é que o esforço de permanecer horas na fila, sob o calor, com números nas mãos por ordem de chegada, não foi muito valorizado. No fim, os acessos para pista premium e cadeiras ficaram todos na mesma fila. A entrada para esse mundo mágico acabou sendo um pouco caótica. 

E então, após a espera, o sonho surgiu no palco e tudo o que eu imaginava foi desfeito.

Durante as mais de duas horas de show, o Jackson da minha cabeça foi desaparecendo. Uma nova versão, mais real, se formou. E, bom, agora cabe a mim compartilhar um pouco desse Jackson Wang da turnê “Magic Man II”, que se apresentou no dia 25 de maio de 2026, no Rio de Janeiro.

Se Jackson Wang trouxe tudo o que tinha em seu coração em Magic Man II, eu também gostaria de presentear esse show com o mesmo sentimento.

A entrada de Jackson Wang

A ansiedade tomou conta da Farmasi Arena durante as horas de espera, enquanto fãs se acomodavam em seus lugares, faziam “olá” de um lado para o outro e simplesmente aproveitavam o momento. Quando deu 21h, o clima começou a esquentar com a exibição de seus MVs e, às 21h20, Jackson Wang surgiu no palco. A escolha de iniciar em uma estrutura elevada, ao som de “High Alone”, foi, para mim, extremamente acertada. Tudo se encaixava na construção do show, que desde o início já mostrava ter sido pensado nos mínimos detalhes. 

Os fãs

Provavelmente, quando vamos a um show de Jackson Wang, um dos momentos mais esperados é a interação com as fãs sortudas que ele chama para subir ao palco. E não é preciso esperar muito para esse momento chegar: ele acontece logo no início, após “High Alone”, “Access” e “Hate to Love”. Mais do que uma interação que viraliza no TikTok, esse instante no palco representa uma verdadeira troca entre artista e público. Aqui, confesso que fiquei um pouco frustrada por não ter sido a escolhida… mas, quem sabe na próxima? 

A solidão de Magic Man II

Jackson Wang para a Magic Man II Tour

E eis que, após momentos bem intensos e aquela explosão de adrenalina, dopamina, serotonina… estrogênio, sei lá, veio a quebra. Na segunda parte do show, Jackson Wang apareceu de branco e trouxe músicas mais calmas, como “Blue” e “Dopamine”. Foi a partir daí que as lágrimas começaram a surgir no meu rosto, quase sem que eu percebesse. Cada verso despertava em mim a vontade de ser abraçada e, em outros momentos, eu realmente me sentia assim 

Chamei esse trecho de “solidão” porque, de alguma forma, foi isso que senti. Mesmo cercada por milhares de pessoas, havia um silêncio dentro de mim. Era como se, por alguns instantes, eu conseguisse sentir um pouco da solidão do nosso “Magic Man”. E isso foi doloroso, mas também bonito. Como nenhum outro artista que já vi ao vivo, ele se mostrou vulnerável e, ainda assim, impecável nos vocais. Prova que, por trás de uma figura que não precisa de rótulos, existe um ser humano frágil e incrível ao mesmo tempo. 

O rapper

E então, mais uma vez, ele quebra.

Saímos do momento de “solidão” e entramos no lado rapper do artista, com músicas como “BUCK”, “Let Loose”, “TITANIC” e o hino “GBAD”.

E então, a energia muda completamente. O que antes era silêncio e introspecção, agora, se transforma em força, presença e atitude. É como se Jackson Wang se reconstruísse ali, diante dos nossos olhos. E talvez seja justamente isso que mais impressione, pois ele transita entre extremos com tanta intensidade e, ainda assim, não perde quem é em nenhum deles. 

A terapia coletiva e os pais de Jackson Wang

E aqui, o show dá um giro de 360 graus e, depois da dança, um vídeo começa: a terapia coletiva tem início. Foi nesse momento que entendi por que eu precisava sair de Florianópolis e ir até o Rio de Janeiro para viver aquilo. Tudo passou a fazer mais sentido enquanto eu ouvia a voz de Jackson Wang falando sobre a própria vida, mas também nos levando a refletir sobre a nossa. E, se na parte da solidão eu queria um abraço, naquele instante eu queria abraçá-lo. O momento em que ele canta Sophie Ricky com a foto de seus pais no telão entrou para a lista dos momentos mais lindos que já vivi nessa vida de fangirl. Ver o carinho e o respeito que demonstra por eles me fez pensar nos meus também. Acredito, inclusive, que esse sentimento foi coletivo, porque o relato geral era de que todo mundo chorou, assim como eu, que caí em lágrimas mais uma vez. 

O grand finale

E, quando ainda estávamos nos recuperando desse momento, Jackson Wang voltou ao palco, desta vez comandando novamente uma atmosfera mais descontraída. Todo aquele peso, aquele choro de alma lavada após o impacto do momento anterior, deu lugar a muita interação com o público e a várias pessoas que ele chamou para o palco para dançar ao lado dele e de seus dançarinos. Não poderia ter terminado de outra forma.

Saí daquele show com uma sensação que não sentia há muito tempo: saudade. Saudade de viver momentos assim. E também gratidão por chegar cedo, enfrentar fila, reclamar do calor e, ainda assim, estar feliz. Gratidão por conhecer pessoas que sentem tudo com a mesma intensidade que eu e que entendem sem precisar explicar.

Acima de tudo, saí com a sensação de ter conhecido um pouco mais do Jackson Wang humano. Não apenas o artista, nem só o nome, mas alguém real, vulnerável, que sente, se expõe e que, de alguma forma, nos aproxima. E acho que, no fim, era exatamente disso que eu precisava!