Idols CEOs não é algo novo.
A YG Entertainment, por exemplo, foi fundada pelo Yang Hyun Suk, ex-membro do grupo Seo Taiji and Boys, e se tornou uma das maiores empresas do k-pop, responsável por grandes grupos como 2NE1, BIGBANG e o BLACKPINK.

Depois dele, vários artistas seguiram pelo mesmo caminho e, até hoje, é possível ver idols abrindo as próprias agências, seja para gerenciar a própria carreira ou a do grupo.
Sair “de casa” vale a pena no k-pop?
As empresas, por mais que sejam alvo de críticas constantes dos fãs, ainda representam um senso de estabilidade. Quando um grupo estreia por um grande selo, existe a expectativa de que terá mais oportunidades e crescimento facilitado, impulsionado pelo nome da gravadora e pelas conexões que ela oferece.
Então, quando um artista sai desse “conforto” a reação costuma ser de surpresa, que levanta reflexões sobre condições de trabalho, retorno financeiro, orientação artística e outros.
O GOT7, por exemplo, recebeu grande apoio dos fãs ao deixarem a JYP Entertainment e mantendo o nome do grupo e os direitos sobre as músicas, tornando-se referência de força e justiça na indústria. Por outro lado, o BLACKPINK continuou na YG como grupo, mas cada membro fundou a própria marca para gerenciar as atividades solos.

Independentemente da maneira como é feito, quando um idol cria a própria agência, o que isso representa para o artista e o cenário da indústria musical sul-coreana?
Liberdade e controle criativo no k-pop
A indústria do k-pop sempre foi guiada pelas três grandes empresas: SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment. Cada uma possui uma identidade sobre o tipo de artista e música que lança, destacando-se em pontos mais específicos.
Quando pensamos em grupos fortes em vocais, por exemplo, podemos elencar vários grupos da SM. Já para bons rappers, a YG. Coreografias e presença de palco? A JYP com vários movimentos icônicos que influenciou o k-pop.
Para preservar a identidade da empresa, os idols precisam seguir o que os chefes dizem, mesmo que contrarie a visão criativa que possuem. Com isso, ao sair das agências e construir a própria marca, fogem do sistema rígido e encontram liberdade para fazer a própria agenda e, também, controle criativo sobre o que querem fazer.
Porém, o movimento nem sempre se traduz em lucro.
Em uma entrevista para a MBC em 2022, a HYOLYN revelou que os ganhos como solista, após a saída da Starship Entertainment, eram menores do que quando estava no grupo SISTAR. Em contrapartida, ela conseguiu alcançar um novo patamar criativo ao fazer o que de fato quer lançar.

Fragmentação das grandes agências do k-pop
Quando as empresas perdem grandes nomes, podem sofrer um impacto forte para a organização como um todo. O EXO-CBX ao sair da SM e, posteriormente, batalhar contra a empresa na justiça criou uma ruptura no fandom e dividiu uma fanbase consolidada que foi construída durante os últimos anos.
Apesar de acreditar que um fim das grandes empresas pela saída dos artistas seja algo extremo, é inegável que perder pilares fundamentais abala a estrutura, sendo que nem sempre os novos artistas conseguem a notoriedade que os grupos antigos já possuem.
Assim, as grandes empresas perdem a força artística e possível influência no cenário ao ver as principais cartas se tornarem mais independentes.
Idols como mais que artistas
A fama vem acompanhada de outros fatores para além das apresentações e premiações.
Publicidades, campanhas de marcas, papéis em produções audiovisuais e outros trabalhos expandem a cartela de possibilidades do artista, levando-o, muitas vezes, a uma posição de empreendedor.
Muitos idols conseguem expandir a própria presença por meio das agências autorais e, ao fazer isso, alcançam mais fama e o lucro adquirido vem em maior quantidade para o bolso, já que há menos intermediários a serem pagos. A Jessica Jung, ex-Girls’ Generations, fundou a Blanc & Eclare, empresa focada em moda e negócios.
O lado negativo ao criar agências no k-pop
Ser e fazer o que querem são as principais vantagens que os artistas encontram ao terem os próprios negócios, mas as dificuldades ainda são latentes.
Crescer na indústria não significa saber como gerenciá-la. Portanto, lidar com a burocracia pode ser um grande fardo, mesmo tendo pessoas específicas para isso.
Além disso, mesmo se autogerenciado, é possível que a arte ocupe um segundo lugar em relação ao dinheiro, o que pode prejudicar a imagem e legado do idol.
O futuro do k-pop com as agências de solistas
O movimento de criação de agências com foco em um único idol ou grupo não é novo, mas se intensificou nos últimos anos.
Como mudança, a mensagem é clara: o cenário não é o ideal para os cantores sustentarem as próprias carreiras a longo prazo. Isso cutuca uma ferida aberta desde que o k-pop é k-pop: a viabilidade financeira e cultural dos trabalhos junto às grandes empresas.
Com isso, as agências possibilitam mais materiais genuínos e que permitem conhecer melhor o que um artista enxerga como qualidade para si.
O perigo principal é o sufocamento que as empresas consolidadas podem proporcionar para os cantores, mas o cultivo de fã base fiel se mostra essencial para lidar com esses e outros problemas, apesar de não ser a única solução
No fim, a questão também não é apenas se os idols estão mais livres, mas o quanto a liberdade depende do sistema que eles dizem deixar.



