Reza a lenda que, de tempos em tempos, um astuto e destemido Kpopper – depois de cruzar os extensos mares dos Boy Groups, Girl Groups, conceitos fofos, hip thrusts e coreografias – decide aventurar-se pelos recantos fantásticos da música Coreana na Terra do não-Mainstream.

Lá, após empreitadas guiadas por playlists anônimas e buscas (às vezes obscuras) no longínquo SoundCloud, diz-se possível encontrar grandes tesouros capazes de abençoar meros ouvidos mortais.

Pois é, infelizmente a K4US não pode dizer se é verdade esse bilhete.  

Mas podemos, sim, revelar uma Daebaek list inspirada na melhor vibe K-indie, e dar aquela guinada nas suas próprias descobertas ~

ASHMUTE

Melancólico e atmosférico, o som do trio Ashmute  é daqueles que te transporta para outros espaços. O trabalho da vocalista Rang é leve e, por vezes, fantasmagórico. A banda delineia sua identidade nos ritmos lentos e graves, em contraste com a qualidade vocal dos integrantes. Ashmute, em cores, é azul e cinza, e pra quem se conforta com os tons mais escuros da música, a faixa Scenery é uma das mais conhecidas da banda. 

SALTNPAPER

MYK, também conhecido como SALTNPAPER, usa tanto do Inglês quanto do Coreano em suas composições de soft rock – por vezes até mais do Inglês. As melodias encaixam os riffs de guitarra e violão ao uso do piano e do alcance da voz de MYK, perfeita pro gênero, variando entre suas possibilidades mais sutis, em baladas, até atmosferas que usam do Rap,  como em faixas do álbum MORE THAN JUST CIRCLES, de 2017. 

SALTNPAPER costuma produzir para trilhas de OST, na maioria dramas, desde 2016, entre eles Chicago Typewriter (2017) e Doctor John (2019). 

DASUTT

Dasutt é por alguns chamado de rock “feel good”. O quarteto, que antes era um grupo de cinco – por isso “Dasutt”, como na pronúncia coreana do número –  compõe peças dignas para um piquenique debaixo do sol. Dá pra sentir? O álbum de estreia, “Mak”, de 2017, ainda é o cartão de visita do grupo, com a faixa “Camel”, por exemplo.

Se você já ouviu artistas ocidentais como Daniel Caesar ou Cosmo Pyke e gostou, Dasutt pode ter o mesmo gostinho, mas com aquela criatividade coreana que a gente ama tanto. 

ASEUL

Se você é realmente dos curiosos e alternativos, com certeza já ouviu falar de “vaporwave” , gênero que combina beats suaves com tons robóticos e ficou famoso nos confins da internet. Junte isso com vocais melódicos e fofos.  Pronto, Aseul é um tanto dessa misturinha. Depois de debutar sob o nome “Yukari” com o álbum ECHO, em 2012, a nova assinatura, “Aseul” , engrenou suas produções em uma onda experimental deliciosa. Seu lançamento mais recente é o álbum Slow Dance, de 2020.

NELL

Nell pertence ao cenário do rock alternativo. Apesar de hoje estar sob uma marca mainstream, seus primeiros lançamentos foram propositalmente no cenário indie junto com o lendário SeoTaiji, do grupo percursor do Kpop nos anos 90, SeoTaiji & Boys.

 Em algumas produções, lembra muito o estilo de bandas ocidentais como FooFighters, The Strokes e até mesmo Coldplay, mas Nell carrega o próprio toque que impede qualquer comparação decente. São músicas ritmadas e guiadas por emoção. O álbum Colors in Black, de 2019, é o mais novo favorito dos fãs.

TRISS  

TRISS parece que se teletransportou direto dos anos 80. O sintetizador vem com tudo, na maior aura Sweet Dreams! Desde os ritmos até a entrega das letras, a banda faz jus quando se auto define como “som sci-fi” e quando veste os quatro membros com uniformes de engenheiros espaciais, em alguns de seus shows. E não se engane, apesar de só ter produções completamente em inglês, TRISS é coreanissíma, tendo ganhado tanto o Busan Rock Festival quanto o KT&G Band Discovery no mesmo ano, em 2017.


Texto por Bianca | Equipe de redação da K4US
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