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Um pouco sobre um livro coreano muito antigo, mas que se mostra muito atual em todos seus contos e poemas, carregado de sentimentos e história.


Contos da Tartaruga Dourada –  do coreano 금오신화  (geumo shinhwa) – foi escrito durante o século XV, é um livro com um conjunto de contos, prosas e poesias, escrito pelo autor Kim Si-seup, um dos poetas mais importantes da literatura coreana.

Considerado a primeira obra de ficção coreana, o título do livro vem de Geumo-san, conhecido também como Monte da Tartaruga Dourada, hoje chamado de Namsan (Gyeongju), onde, segundo alguns, foi o local em que Kim Si-seup escreveu as histórias.

 

Sobre Kim Si-seup

Kim Si-seup (1435-1493), o gênio desafortunado.

Poeta e pensador, conhecido como “gênio desafortunado”. Sua fama percorreu todo o Reino de Joseon, e muito se falava sobre Kim Si-seup, dentre as diversas histórias sobre ele, as mais contadas dizem que Kim aprendeu os caracteres chineses aos oito meses de idade, e que escreveu seu primeiro poema aos três anos. Sua fama teria chegado ao Grande Rei Sejong (inventor do alfabeto coreano em 1446), que teria chamado Kim – na época com cinco anos – e teria lhe presenteado com uma peça de seda.

Sua escrita era caracterizada por possuir pensamentos confucionistas e também budistas. Em vários de seus livros, seus pensamentos era que o rei e os súditos, deveriam respeitar toda a nação, independentemente do status ou origem de uma pessoa.

Quando morreu, houve muito esforço do rei para publicar suas obras. Porém, somente em 1927, um de seus descendentes juntou suas obras e as publicou, totalizando 23 livretos em seis volumes.

Em 1973, a coleção ganhou novas obras e Contos da Tartaruga Dourada foi editada e publicada um volume separado.

 

Sobre o livro

Uma coletânea com com cinco contos, cada um com seus pontos fortes e histórias que prendem a atenção do leitor.

Em meio as histórias, se encontra poesias e descrições claras sobre o local em que cada conto se passa. Talvez o ponto alto de cada conto, são os poemas, eles carregam o sentimento do personagem.

Outro ponto, os personagens são bem distintos entre si através de cada conto, cada um com suas próprias características.

Sempre com uma pitada de romance – e também um pouco de melancolia – as histórias se desenvolvem abraçando o leitor de forma que é quase possível se sentir ao lado do autor, no momento da escrita.

Talvez uma das passagens que mais chamaram minha atenção, tenha sido durante o conto Yi Espreita por cima da Mureta  que conta sobre a união improvável de um casal atravessada pela turbulência da guerra. No momento em que Yi, ao espreitar por cima da mureta, se depara com Choi, uma bela mulher, daí nasce um romance que se baseia em poemas, que ambos contavam um para o outro.

 

“Quão lentamente estou a bordar, encostada só no véu da janela
Quão delicado o canto do figo-loiro por entre tantos botões de flor!
Lamento em vão o vento de primavera
E em silêncio descanso a agulha a absorver-me em pensamentos

Aquele moçoilo que passa ali fora, de qual família será?
Entrevejo sua veste azul caminhando por entre os ramos pendentes de salgueiro
Quisera eu me tornar uma andorinha-das-chaminés
Para voar baixinho por cima da cortina de contas, por cima da mureta”

 

Assim como esse conto, todos os outros são emocionantes, diria que uma das leituras obrigatórias para aqueles apaixonados pela cultura coreana. Um livro recheado de cultura, que vale cada momento de leitura – e diria também, cada momento de reflexão.

O livro carrega toda a mente fértil e lúdica de um autor que carrega grande peso histórico da literatura coreana – e ouso dizer, da literatura chinesa.

O livro foi traduzido pela Professora Yun Jung Im, mestre em literatura coreana moderna pela Universidade Yonsei (Seul) e doutora em comunicação semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora de língua e literatura coreana, traduziu diversas obras literárias do coreano para o português.

O livro pode ser encontrado na Livraria Estação Liberdade!

*Informações retiradas do livro.

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Arien
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Arien
Sou amanda de "The Lord of the Rings" e apaixonada pelo universo. Entrei no kpop em 2012 graças ao SHINee, e estou até hoje sofrendo por esses meninos brilhantes. Leonina, futura engenheira aeroespacial e vegana. Amo resolver equações matemáticas e sair por aí espalhando a palavra do DIBDIBDIBS SHINee.
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