REVIEW: SINTONIZADA EM VOCÊ – FILME 

Título: 유열의 음악앨범/Tune In For Love/Sintonizada em Você

Ano de produção: 2019

Data de estreia (Coreia): 28/08/2019

Gênero: Quotidiano, Romance, Drama

Duração: 122 minutos

Direção: Jung Ji Woo

Elenco: Kim Go Eun, Jung Hae In, Kim Guk Hee, 

Sinopse: Em 1994, Mi Soo (Go Eun) e Hyun Woo (Jung Hae In) se encontram pela primeira vez e, a partir dali, se inicia o relacionamento dos dois que, durante dez anos, em meio aos sonhos, carreiras e caminhos diferentes, continuaram a se encontrar em momentos diferentes de suas vidas. 

 

 

 

Personagens

 

Mi Soo (Kim Go Eun)

Mi Soo é uma garota comum, que trilha diferentes caminhos no decorrer de sua vida até, finalmente, encontrar aquilo que gosta. E, contudo, ela se adapta com certa facilidade às mudanças que a vida traz e é bastante otimista. 

 

Hyun Woo (Jung Hae In)

Hyun Woo é um jovem bastante introvertido e que carrega por anos o sentimento de culpa com relação a um segredo de seu passado. No decorrer do filme, ele tenta lidar com a culpa, mas não consegue evitar todas as implicações negativas desse sentimento. 

 

Opinião 

 

Passeando pelo catálogo da Netflix, encontrei a fotinho desse casal e, bastante empolgada com o fato de serem dois atores que eu amo, não percebi que era filme. Isso mesmo, cliquei logo no “dorama” e, uns 10 minutos depois, percebi meu erro. 

O que colaborou para o meu engano? Além da minha falta de atenção, foi o fato de que a descrição que a Netflix coloca traz um dos principais pontos da trama: o roteiro que acompanha, por anos, os protagonistas e o relacionamento entre eles durante as idas e vindas de suas vidas. 

Isso não parece o material perfeito para dorama? Pois é, eu também achei. O que eu não esperava, no entanto, é que o filme fosse me impactar de forma que o fez. Isto tem muito a ver com a quantidade de realismo presente no roteiro. A trama é exatamente o que se espera de um típico slice of life, o nosso, por vezes tão odiado, quotidiano: a rotina dos personagens, a vida comum de pessoas comuns, sem grandes mistérios ou/e paixões arrebatadoras. A verdade é que, pra mim, esse quotidiano é tão bem retratado que a identificação com a vida dos protagonistas foi instantânea. 

Além disso, a produção do filme fez questão de colocar bastante ênfase na passagem do tempo e como isso afetou a vida dos protagonistas. Algo que é bastante comum na vida de todo mundo, né? Por este motivo, acompanhamos Mi Soo e Hyun Woo de 1994 a 2004 e todas as vezes que os dois se encontraram. 

Em 1994, Mi Soo e Hyun Woo se encontram pela primeira. Nessa época, ela é estudante do ensino médio e trabalha meio período na padaria dos seus pais. Ela conhece Hyun Woo quando o garoto entra no estabelecimento atrás de tofu. A partir dali, uma rotina entre os dois é estabelecida, pois Hyun Woo passa a trabalhar com ela e uma íntima conexão entre os dois é estabelecida. 

 

Em 1997, Mi Soo e Hyun Woo se encontram pela segunda vez. Enquanto ela visita a antiga padaria de seus pais, que foi fechada, Hyun Woo acidentalmente a encontra ali. Aqui entra, novamente, o realismo do slice of life, porque a passagem do tempo é bastante evidente pela quantidade de detalhes que estão diferentes: a padaria fechada, Mi Soo na universidade e, após três anos, Hyun Woo de volta. Mas a vida, novamente, acontece sem esperar que ninguém a acompanhe, e, com ela, o tempo certo para os dois não é agora. 

O mais surpreendente nisso é que entre o desencontro dos dois, em 1994, e o reencontro em 1997, se passaram, aproximadamente, vinte minutos de filme! E, contudo, a atuação da Go Eun e do Jung Hae In é tão impecável em termos de traduzir a passagem de tempo que, juntamente com os elementos dos cenários, as mudanças são muito palpáveis e isso traz um peso emocional muito grande para a história. 

Outros aspectos para tornar a passagem de tempo palpável é bastante óbvio: na década de 90 a internet como nós conhecemos hoje não existia, assim como smartphones ou qualquer outro tipo de comunicação que não fosse por meio de cartas e telefones fixos. E, contudo, o terceiro encontro do casal, nos anos 2000, mostra que conforme o tempo passa e os dois se encontram, os meios de comunicação evoluem de cartas, para telefonemas e, pasmem, e-mails e celulares! Por isso, parte significativa do filme é preenchida com cenas em que os protagonistas estão separados, já que é difícil manter contato com alguém sem saber onde essa pessoa está. 

O último encontro de Mi Soo e Hyun Woo é em 2005, quando ambos estão estabelecidos em empregos que gostam e toda a trajetória dos dois, cheia de falsos começos e paradas inesperadas, encontra um ponto final. É aqui que você pega os lenços!

Agora, os dois finalmente têm a oportunidade de viver um relacionamento mais concreto, mas isso não significa que seja sempre fácil. E aqui, mais uma vez, o slice of life, o realismo, estão super presentes. Talvez por estar tão acostumada com as tramas de dramas em formato de séries e suas paixões impossíveis, que quando me deparo com um relacionamento que é extremamente comum, de gente como a gente, com desentendimentos e bagagens emocionais que estão muito além das falhas de comunicação frequentes em doramas, me vejo, mais uma vez, impactada pelo filme. 

 

 

Novamente, esses pontos só aproximam o filme da realidade que todo mundo vive: um romance que não é, assim, tão romântico. E, com isso em mente, a vida novamente não segue a favor do casal. Mas a essa altura do filme, eu já não assistia mais com o coração de uma dorameira, e sim com o de uma pessoa que passou por experiências parecidas e, principalmente, focada no fato de que nem sempre o tempo para viver um relacionamento é no exato momento em que queremos que isso aconteça. 

Inclusive, meu coração de dorameira precisa puxar um parênteses aqui. As cenas românticas que o filme traz são bastante diferentes de doramas e outros filmes coreanos de romance que já vi. E, adivinhem? Isso mesmo, mais um aspecto de realismo, pois vemos uma rotina de casal que é comum, mesmo na Coreia, ainda que doramas nos façam acreditar que não. 

 

 

 

Passeando pela internet, vi muitas críticas negativas sobre o fato do filme ser longo e lento e, sinceramente, eu não vejo isso como algo ruim. Não neste filme, pelo menos. Na verdade, acho que o desenrolar mais devagar traz mais intimidade e complexidade para a trama e, como já repeti váááááárias vezes, aproxima o enredo da realidade. Mas se você não tem muita paciência para esse tipo de história, talvez Sintonizada em Você não seja o seu filme. 

No entanto, eu preciso vender esse peixe: dê uma chance. Não é sempre que um filme coreano consegue trabalhar um romance com tantos aspectos do quotidiano comum. Ademais, esse filme também faz um ótimo trabalho em traduzir o fato de que estar em um relacionamento está muito além do aspecto físico da presença do outro, mas envolve um punhado de atitudes que nos tornam vulneráveis, como confiar, compreender e perdoar, por exemplo. 

 

Por isso, reitero: dê uma chance a esse casal e se surpreenda com o quanto nossa rotina pode ser impressionante justamente por ser comum e, em última instância, com o quanto não somos assim tão diferentes em nossos desafios e dificuldades. 

 

Onde assistir: Netflix