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Jovens adultos, frustrações e decepçõesQuando somos adolescentes, tudo o que queremos é chegar aos 18; ser maior de idade e dono de si. Mas uma vez que chegamos nesse ponto, e as expectativas não são alcançadas, percebemos que todos os desejos da adolescência não serão realizados de imediato, como em nosso imaginário. Se você passou, e passa diariamente, por isso, “The Best Moment to Quit Your Job” pode ser uma terapia em forma de drama.

Yeonji (Go WonHee), Namhee (Jei), Hyun (Kim Jieun) e Hyeyoung (Jung YunJoo) formam o grupo de amigas e protagonistas, fato que por si só já deve ser motivo o suficiente para assistir. Baseado em um webtoon de mesmo nome e dividido em oito episódios – infelizmente e apenas –, o drama explora a vida das quatro mulheres justamente neste complicado momento da vida: formadas, algumas vezes desempregadas, com contas a pagar e, para completar, mergulhadas em inúmeros conflitos internos.

A premissa pode até parecer o amado “Age of Youth”, por se tratar de uma história focada muito mais em outros aspectos da vida dessas protagonistas do que em um romance, como costuma acontecer nos dramas coreanos. Mas é apenas uma semelhança e um indício de que precisamos de mais produções do gênero, para que não tenhamos essa sensação de que os poucos existentes são meramente imitações uns dos outros.

No caso de “The Best Moment to Quit Your Job”, por exemplo, a história, como aponta o próprio título (trad: O melhor momento para se demitir), gira em torno do ambiente profissional. Até mesmo os indicativos de romance que ocorrem, envolvem este assunto.

Apesar da maioria dos diálogos entre as personagens tratarem de diversas questões da vida profissional, elas discutem até mesmo sobre violência doméstica. O tópico romance é até tema de algumas conversas entre as meninas, mas as próprias comentam como isso não é prioridade na vida delas. Aliás, quando se trata de namoro, uma das personagens até demonstra que homens não são exatamente de seu interesse. Infelizmente a história não aprofunda essa questão, mas as cenas que tratam desse assunto parecem gritar a presença de uma personagem lgbtq – inclusive duas atrizes principais já fizeram um webdrama onde uma delas mantinha um relacionamento com outra mulher.

A falta de profundidade na narrativa de algumas protagonistas é realmente incômoda. Não é necessário investigar todo o passado delas, mas como isso acontece até mesmo com a principal antagonista da história – tornando a personagem menos superficial –, a lacuna vazia de  Hyeyoung, por exemplo, acaba instigando no espectador uma curiosidade que nunca se dissipa por completo, o que é um problema. 

Com Yeonji, visualizamos algumas cenas do passado dela, mostrando fatos cruciais para a formação de sua personalidade no momento em que o drama se passa: ela se torna uma mulher introvertida, com dificuldade de se expressar e se impor fora do círculo de amigas. No caso de Hyun, a própria personagem comenta como o difícil ambiente familiar, no qual cresceu, a tornou uma mulher fechada; uma personagem amarga e frustrada. Namhee é a mais espontânea das quatro e a primeira a se demitir, com o intuito de buscar seu sonho profissional e felicidade. Enquanto Hyeyoung é a mais estável. Apesar de um problema de saúde, ela trabalha com o que gosta, é um apoio importante para as amigas, mas é fechada sobre a própria vida.

Ao mesmo tempo em que você se envolve com as histórias de cada uma das mulheres – torcendo o tempo todo para que tenham sucesso, percebam quando estão erradas ou precisam sair de determinada situação – os oito episódios parecem pouco suficientes para abordar de fato cada uma das personagens. São quatro mulheres bem diferentes e seria muito interessante acompanhar mais da vida delas.

Assim como o título do drama sugere, ao longo dos episódios assistimos diferentes pessoas – não necessariamente protagonistas – deixando seus empregos, seja devido à demissão por parte da empresa ou por iniciativa própria, em busca melhor qualidade de vida. A ideia de se demitir não é colocada em prática por todas as protagonistas e Hyeyoung até comenta sobre a imprudência dessa decisão, dependendo da situação.

O que é de se aliviar, afinal por mais que alguns empregos sejam frustrantes e estressantes, tudo o que menos precisamos é de mais uma história de jovem que larga tudo e vai viajar o mundo. Essa é uma possibilidade que não se encaixa na realidade de qualquer um, menos ainda daqueles que não tem como se manter sem uma renda fixa. De fato, uma das personagens até consegue viajar após sua demissão, mas apenas porque tinha algumas economias. Durante os episódios as amigas até comentam como essa é uma opção apenas para quem já tem dinheiro.

 

Hyeyoung: crush sábia

Ainda é incômodo ver personagens femininas irritantes, que trazem ao drama a frequente rivalidade entre mulheres, mas o crescimento de amizades femininas e fortes em dramas coreanos já vem se mostrando com certa frequência e aponta para um avanço. O grupo de amigas em “The Best Moment to Quit Your Job” se mostra como um um lugar de segurança e conforto para cada uma delas, ao qual recorrem após um dia difícil, mas também em dias bons, onde podem dividir experiências, alegrias e uma cerveja.

“The Best Moment to Quit Your Job” tem potencial para atrair muitos fãs. O drama aposta em uma representação forte da juventude, se utilizando de personagens com os quais os espectadores podem se identificar, temas atuais e uma abordagem honesta sobre a vida de mulheres na Coreia do Sul. Os oito episódios passam super rápido e provocam o desejo de mais uma temporada ao lado de Yeonji, Hyeyoung, Namhee e Hyun.

🎬 Disponível no Dramafever
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Bea
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Bea
Carioca, 25 anos, estudante de jornalismo e carmy. Se pudesse passaria meus dias comendo batata frita, sorvete e lendo fluff, como não posso: trabalho, passo mais tempo do que devia no twitter e como batata e leio fluff nas horas vagas. Parte da equipe da LO짱 (Lojjang) e presa numa areia movediça chamada K-Pop há 9 anos (sem previsão de conseguir sair).
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