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Recentemente, muitas mulheres celebridades de Hollywood estão botando a boca no trombone e contando para o mundo casos de assédio e ações machistas que vivenciaram dentro do glamoroso mundo do cinema.

No Brasil, mulheres usam as redes sociais cada vez mais para denunciar agressões e ações machistas, que até 5 anos atrás ou menos, ainda eram consideradas “opa! Que coisa normal! Frescura!”.

É difícil de acreditar que, EM PLENO SÉCULO 2018 pega a piada aí galera, a raça humana não tenha evoluído em alguns aspectos sociais como desigualdade entre os gêneros.

O machismo não é um problema exclusivo de Hollywood, ou do Brasil… é um absurdo em escala global. E isso inclui, a Coreia do Sul. A imaculada e “perfeita” Coreia do Sul. Que vamos combinar… de santa e igualitária não tem nada.

Precisamos falar de machismo! Mais que isso: Precisamos abrir os olhos para falar do machismo que EXISTE SIM na Coreia. Chega de negar isso! De fingir que tudo são flores.

Pra quem não sabe o que significa a palavra machismo:

Definição de Machismo (Segundo o “Dicio” – Dicionário Online de Português)

Classe gramatical: substantivo masculino
Separação silábica: ma-chis-mo
Plural: machismos

  1. Opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres.
  2. Característica, comportamento ou particularidade de macho; macheza
  3. Demonstração exagerada de valentia.
  4. Comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem.

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Machismo é a opressão aos direitos da mulher, em todos os níveis morais e intelectuais, na vida familiar, social e profissional.

O machismo na Coréia é uma questão cultural, como aquela famosa frase ”vem de berço”.

É aí que se encontra o problema: os meninos crescem ouvindo que devem ser sempre fortes, não devem demonstrar fraqueza, muitas das vezes seguem o espelho do pai, que cultiva o aspeto dominador, influenciando seus filhos de forma negativa.

Já as meninas, são direcionadas à serem frágeis, desencorajadas a ter a sua própria independência, e serem ensinadas que são dependentes dos homens em tudo. Sua felicidade depende de um homem.

O machismo está presente na maioria dos países, isso é fato. Na Coreia (não é diferente), ser mulher é realmente muito difícil; as vagas de emprego utilizam critérios de seleção muito desonestos e diferentes comparados a vagas de empregos dos homens. Na visão da família tradicional coreana, o dever da mulher é cuidar das tarefas de casa (lavar louça, cozinhar, limpar e etc).  Como consequência desse machismo forte, as mulheres sofrem violência doméstica e são totalmente desrespeitadas, tratadas como objeto. Pouquíssimos casos de violência são reportados à alguma autoridade. Na Coreia, ainda se vê a violência doméstica e sexual como algo pessoal e as políticas de prevenção e proteção às vítimas não são bem aplicadas.

Não é segredo para ninguém que até mesmos as idols sofrem com esse abuso. Nem mesmo as “privilegiadas idols” atabom escapam do abuso e humilhação machista ao decorrer da sua caminhada ao tão sonhado sucesso.

A associação Homens da Coreia (HDC), a única associação dos direitos dos homens na Coreia, interpôs uma providência cautelar para retirar do mercado a música da Baek Ji Young “Good Boy”. Segundo esta associação, a letra da música é ofensiva para os homens, porque os compara a cães.  Outros idols já fizeram músicas e MVS nos quais a traição era o tema principal e, quando essa traição é da parte do homem, é relatada de forma cômica. Já da parte da mulher, de forma repulsiva.

Segundo a BBBC, a desigualdade de gênero na Coréia permanece alta, os salários das trabalhadoras coreanas permanecem em um valor 55% abaixo do salário dos homens, mesmo ocupando cargos similares. A principal razão das mulheres coreanas terem salários mais baixos, aparentemente, é pela maioria delas ter empregos irregulares com baixos salários em setores de serviço e varejo. Apenas 4 de 10 assalariadas são empregadas regulares, de acordo com estatísticas país. Elas são mais suscetíveis a caírem em empregos de baixa remuneração, a título temporário ou irregular. Isso é refletido no fato desta diferença salarial entre os gêneros ser ainda maior no grupo de pessoas de 30-55 anos.

Apesar do esforço, a Coréia do Sul ainda possui uma enorme disparidade de gênero. O Fórum Econômico Mundial do Índice Global da Igualdade de Gênero realizado em 2015 colocou a Coreia na 115ª posição de 146 nações.

 

K-DRAMAS: A Violência Emocional

Ainda que a gente ame assistir à k-dramas, precisamos ter em mente sempre que a cultura coreana é patriarcal e, infelizmente, ainda muito machista. Não pense que estamos falando apenas de agressão física, pois esse é um conceito simples de entender. Existem muitos tipos de violência que para um olhar menos atento pode ser normal. Um dos mais comuns é também o mais popular nos k-dramas: a violência por meio do abuso emocional.

Alguns dramas romantizam cenas de violência e machismo contra a mulher e isso, aos olhos de ”dorameiras” como nós, muitas vezes se passa despercebido. Chega à ser contraditório; homens coreanos têm fama de serem gentis e carinhosos em seus relacionamentos, e vemos muito isso nos doramas que também nos mostram um lado bem romântico e fofo dos relacionamentos sul coreanos. No entanto, quando pesquisamos um pouquinho mais sobre o assunto ou prestamos mais atenção, não é bem o que encontramos. É claro que NÃO devemos generalizar e classificar todos os homens coreanos como machistas, e que cada um tem uma personalidade diferente independente da sua cultura.

Vamos abrir um adendo para explicar que: Nem todos os homens possuem os defeitos e qualidades que são mostrados nos doramas, MAS isso não acontece só com os coreanos. Vale para qualquer homem. Homem é homem no mundo inteiro. Então você vai se deparar com homens 0/10 e 10/10 🙂 Então a dica é conhecer bem e procurar saber a opinião das pessoas ao seu redor. Não precisa desistir de encontrar o OPPA dos seus sonhos, apenas fique de olhinhos ocidentais bem abertos! rs

Vamos citar exemplos? MAS É CLARO QUE VAMOS! Tanto nos doramas quanto do kpop!

Casos de machismo nos k-dramas:

1) Puxar pelo braço: Sabe aquelas cenas de puxar a garota pelo braço e tascar um beijão. Ou puxá-la pelo braço para tirá-la de algum lugar, ou para que a atenção seja focada somente no cara? MACHISMO! Não, não tem nada de fofo nisso! Parece algo “de boa”, mas acredite, não é! Cenas como essa estão presentes em Boys Before Flowers, The Heirs, School 2015, entre outros (na verdade… na maioria dos doramas). Existe até um movimento na internet chamado “Just Stop Wrist Grab” – para parar com essa patifaria de puxar as minas pelo braço, como se elas não pudessem ter autonomia para tomar decisões.

No gif temos o k-drama The Heirs. Isso não é fofo, manas. Só de ver já me sobe o ranço. 

2) Play Full Kiss: Este dorama por inteiro é um problema. A jovem protagonista vive dentro de um relacionamento abusivo que é demonstrado todo momento como algo lindo. A menina é humilhada. Quando o rapaz “percebe que gosta dela” passa a trata-la como um objeto. Além de ter as puxadas de braço, e ainda por cima ELE BEIJA ELA ENQUANTO ELA DORME, QUE!?!?!? Ela frequentemente é humilhada pelo homem que gosta, ela muda de amigos e suas ações para tentar impressioná-lo, as vezes ele fingia que ela não existia. Ai é tanta cagada num dorama só, que dá até desgosto.

 

Casos de machismo dentro do KPOP:

1) Caso Kim Hyun Joong: Kim Hyun Joong, que era o queridinho dos doramas e líder do grupo SS501, foi acusado de agressão pela própria namorada. A moça foi agredida diversas vezes, inclusive quando estava grávida. Nos fóruns da vida, é muito comum ler que “ela não se valorizava / na primeira vez que ela apanhou ela deveria ter denunciado / ela pediu” – Se as mulheres no Brasil tem medo de denunciar (onde a discussão sobre machismo está avançada) imagina na Coreia, onde o assunto é banalizado?

Não deixem essa carinha de anjo enganar vocês. Kim Hyun Joong, eu te amei. Agora tenho ranço mesmo.  

Quer entender o caso Kim Hyun Joong? Então vem pra esse post da fanbase brasileia do Young Saeng (SS501) onde ela coloca TUDOOO o que aconteceu no processo do Kim Hyun Joong e ainda deixa opinião.

2) Exposição de fotos Ailee: Um ex-namorado de Ailee, que trabalhava no site all kpop, teve acesso a imagens da cantora na fase pré-debut completamente nua. Este sem vergonha publicou as fotos dela no site em que trabalhava, e foi um caos.

3) Suicídio após abusos da atriz Choi Jin Shil: Esta atriz apanhava do marido, um famoso jogador de baseball. Ela denunciou publicamente os abusos e então foi processada pela própria empresa, que alegaram “falta de decência e profissionalismo”, sendo que Jin Shil era considerada a melhor atriz da época. Ela perdeu o processo, e após isso se suicidou.

Mas nem tudo está perdido. Existem mulheres empoderadas no kpop, que buscam ter voz conta o machismo. Então vamos enaltecer, e continuar dando voz a elas. Vale a pena conferir os MVs empoderados:

Miss A ícones, vem com a mensagem clara: Você não precisa de um boy! Você paga suas contas, seu luxo, sua diversão. Somos ensinadas que o homem tem que dar tudo para a mulher. Miss A vem quebrando esse tabu e falando: O QUEEEEE??? Jamais!

Aprenda a ser confiante, inteligente e dona do próprio nariz com o Mamamoo.

Sabe quando você termina com aquele boy lixo e quer viver a sua vida mas ele não sai do seu pé? Pois é, Lee Hi profissional em deixar claro que: bebe, não preciso mais de você. Beijo.


Então após todas essas informações podemos concluir que: MACHISTAS NÃO PASSARÃO, não importa se ele seja o OPPA dos seus sonhos. Porque no fundo, ele não é o oppa dos sonhos de ninguém ;D

Não deixe o machismo disfarçado de fofurinha enganar seus olhos. Não tem nada de fofo ver uma mulher se desvalorizada :/ Fica aí a reflexão.

Obrigada por ficar conosco até a ultima linha. Nos vemos na próxima postagem ou polêmica, quem sabe…

 

Texto escrito por Brunna Souza e Chugga
Equipe K4US | www.k4us.com.br

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