ENHYPEN fez seu comeback com o mini álbum “DESIRE: UNLEASH”, na última quinta-feira (05,06), dando continuidade ao conceito do grupo, repleto de vampirismo, sensualidade e, claro, uma pitada de culpa católica. Quem amou? Por isso, preparamos um panorama geral desse retorno, trazendo impressões sobre as faixas do álbum, curiosidades sobre os photoshoots maravilhosos e também sobre os conteúdos audiovisuais lançados, como o MV (e o já tradicional filme conceitual, no qual os integrantes exibem suas habilidades de atuação.)
ENHYPEN, eu sou apenas uma garota camponesa inocente!
O mini álbum possui oito faixas, sendo uma delas a versão em coreano de “Loose”, o single de pré-lançamento em inglês que virou queridinho dos fãs antes da apresentação do grupo no Coachella, em abril. A guitarra e a letra remetem a um amor de verão bem quente, algo que talvez te aqueça neste frio do inverno brasileiro. Recomendo muito. Para quem tem receio de músicas em inglês feitas por artistas de k-pop, fiquem tranquilos, o ENHYPEN nunca decepciona nesse quesito!
A prova disso está na versão em inglês da faixa-título de “DESIRE: UNLEASH”, o hino “Bad Desire (With or Without You)”, que não perde nadinha para a versão em coreano, também presente no disco. Então, fica a gosto do freguês escolher a preferida. Pessoalmente, amei a versão em inglês, achei a letra impactante e as vozes dos integrantes transmitem perfeitamente a dualidade entre desespero e desejo que o eu lírico sente, o que combina muito bem com o conceito vampiro que eles vêm apresentando nos últimos quase cinco anos de grupo.
Garota inocente, não toque, não faça isso
Não quero tirar sua luz dourada
Lá fora no mundo, você é só um anjo
Mas aqui no escuro, meu sacrifício
– Tradução de Bad Desire (With or Without You) (english version)”
As partes de Heeseung e Sunghoon em “Bad Desire” são extremamente viciantes, então foram destaques positivos para mim. Entretanto, se você pensa que é só nas faixas-título que o ENHYPEN brilha, está muito enganado. Quem é Engene, o fandom deles, sabe que são nas b-sides que eles mostram as verdadeiras cores do grupo.
Se você aproveitou muito o Brat Summer da Charli XCX no ano passado ou ama um EDM experimental, “Flashover”, a primeira faixa do EP, é para você. O ENHYPEN resolveu “tocar o Tecno” e me fez ter vontade de dançar com minhas amigas na balada de eletrônico ao som dessa música, mesmo que em comparação às outras eu a tenha achado a mais fraca. Talvez, realmente, eu precise ir em uma festa com ela na setlist para me apegar mais.
Para quem é fã de “Manifesto: Day 1”, o mini-álbum do septeto de 2022, provavelmente “Outside” foi uma das suas favoritas, pois é um hip-hop que lembra muito lançamentos antigos do grupo, mas que ao mesmo tempo traz um novo lado, mostrando um ENHYPEN fazendo um rap com flow mais rápido sobre batidas que carregam influências de grupos da segunda geração. Na minha opinião, o refrão é a melhor parte da música e ficou grudado na minha cabeça o dia todo desde que ouvi pela primeira vez.
Agora, sobre “Helium”, a quinta faixa do álbum, eu poderia fazer um TCC. Além de ser a que eu mais aguardava, foi de longe a minha favorita. E não é à toa, visto que o Jay, meu bias no ENHYPEN, foi co-produtor e co-compositor dela. Sou suspeita, mas consigo ver muito dele na produção, não só dele, mas também de FRANTS, produtor responsável por grandes sucessos de grupos da HYBE, como BTS e TXT.
Entre algumas das faixas que ele produziu, e que seguem a mesma linha de “Helium”, estão “Firework”, do &TEAM, e “MAGO”, do GFRIEND, nas quais se destacam guitarras, baixos e sintetizadores, trazendo um toque nostálgico e com aquele rock anos 80 que eu particularmente amo. Também, aos fãs de pop e do álbum “Future Nostalgia”, da cantora Dua Lipa, acho que vocês vão amar essa daqui, viu?
Por último, mas não menos importante, temos “Too Close”, a música mais fofa e de aquecer o coração do álbum… Só que não. Não se deixe enganar pela batida meio bossa nova, com piano ao fundo. A nossa “Girl From Rio” da Anitta versão Coreia do Sul também fala sobre um amor desesperado e sensual, assim como todas as outras. Esqueceu que estamos falando de vampiros muito apaixonados?
Pelo que pude observar, essa virou uma das faixas mais queridas pelo fandom e será protegida com todas as forças, inclusive pelo Jurídico Jake Sim Brasil, que é minha parceira de texto, Júlia. Pelo que conversamos, essa faixa tem o coração dela, e o meu também, não vou mentir. Inclusive, é minha aposta e torcida para o próximo MV do comeback, já que o grupo sempre lança dois. Então, por favor, dê uma chance não só para ela, mas para todo o “DESIRE: UNLEASH” também.
Desejo. Essa é a única coisa que nunca morre, já eu…
Para além das músicas icônicas, o MV de “Bad Desire” se mostrou uma verdadeira obra de arte. Com um ciclo entre céu e inferno, as cenas parecem ter saído diretamente de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. As diferentes fases de um inferno sem fim, realçadas pelo dark romance, mostram que viver sem a pessoa amada parece uma punição que não acaba, mas fica mais intensa.
Sem ou com você
O paraíso sem você deve ser como o inferno
Sem ou com você
O inferno no qual eu te abraço deve ser como o paraíso
– Tradução de “Bad Desire (With or Without You)”
E o ENHYPEN é cultura, tá? As imagens retratando céu/paraíso e inferno também trazem um toque muito forte das pinturas do Renascimento que, dentre muitas coisas, mostravam diversas divindades de forma humanizada, ou seja, com expressões e sentimentos que remetem aos seres humanos.
Isso fica bem evidente nas expressões dos nossos sete vampiros, que escancaram os fortes sentimentos que os consome. Mas, desejo de quê? Segundo os próprios membros do grupo, é um forte desejo de tornar a pessoa amada em vampiro, uma coisa bem Edward e Bella. Mas a gente sabe que também tem uma sensualidade envolvida, né?
Para transmitir essas sensações, a fotografia do MV fez um trabalho impecável. Com os diferentes movimentos de câmera, que transitam perfeitamente entre os mais rápidos e alguns slow motion, a composição de cores e os ângulos, somos levados do inferno ao paraíso em segundos, presenciamos as sombras correndo pelas paredes e os conflitos no desenrolar das cenas. Somado a tudo isso, o MV conversa muito com o de “Sacrifice (Eat Me Up)” que traz cenários de conflitos no paraíso, com um toquezinho de “A Criação de Adão”, de Michelangelo.
E é claro que em meio a tudo isso, temos uma coreografia de simplesmente tirar o fôlego (no caso deles, quase literalmente). Tão detalhada quanto a de “Fatal Trouble”, “Bad Desire (With or Without You)”, transparece as chamas do desejo, que brilham no refrão, mostrando a busca desesperada pela pessoa amada.
Sem ou com você
Incendiado por esse lindo fogo-Tradução de “Bad Desire (With or Without You)”
Assim, em cada pequeno detalhe, o ENHYPEN nos faz sentir todo o desespero desse amor sufocante, um desejo que está prestes a explodir. Esse MV é realmente ABSOLUTE CINEMA, e vale cada segundo da sua atenção.
Vem de chicote, algema e… Hannibal?
O photoshoot também trouxe diferentes nuances para tratar a ideia de desejo. Na versão “MAKE”, minha favorita, foi possível perceber o lado externo e interno de cada um dos membros. A parte um das imagens trouxe um ar um pouco mais sofisticado, com ternos e gravatas, na tentativa de mostrar uma contenção. Entretanto, as cordas, amarrações, gotas de sangue e as máscaras, que lembram o personagem Hannibal, deixam evidente a batalha interior e a tensão criada para suprimir um desejo tão forte que está prestes a emergir.
A máscara utilizada por Hannibal Lecter está diretamente ligada ao canibalismo do personagem, que também demonstra uma dualidade semelhante à presente no photoshoot do ENHYPEN. Assim como o Dr. Lecter, eles precisam manter uma aparência contida e até mesmo formal, na tentativa de disfarçar a intensidade dos sentimentos internos.
É esse desejo que vemos na parte dois dessa mesma versão. Para quem é fã de terror, essas fotos são um banquete muito bem servido. Com adereços icônicos, cada integrante do grupo traz uma referência a alguns clássicos, como Jungwon segurando uma serra elétrica, trazendo Leatherface à memória, o figurino de Sunghoon que usa elementos de borracha, assim como Patrick Bateman, e os espinhos colocados em Jay, que trazem vagamente a lembrança de Pinhead.
Por outro lado, o uso de algemas e luvas de couro trouxe um ar mais sexy ao photoshoot. Desde pequenos detalhes, como alguns botões abertos na camisa de Heeseung, para mostrar a mensagem cravada no peito, até as algemas de couro usadas por Jake, fomos capazes de perceber a maneira com que o desejo pode se manifestar de diversas formas, como algo tão forte que pode ser destrutivo (ou prazeroso, né?).
E as referências a “Hannibal” não pararam, viu? A versão “YOU” remonta cenários similares ao da série de 2013, com diversos chifres pelas paredes, uma ambientação escura e uma grande mesa. Usando desse cenário, o grupo mostra um lado mais sombrio, realçando ainda mais o vampirismo. Já na versão “MINE”, conseguimos perceber traços que se aproximam um pouco mais da proposta do MV, com um cenário que lembra um purgatório, retratando um lugar mais escuro e enlameado. A iluminação avermelhada de algumas fotos e os acessórios espinhosos usados pelos membros, trazem uma ideia de punição divina ou até mesmo uma busca por redenção.
Por fim, a versão “ENGENE” trilha caminhos um pouco diferentes dos mencionados anteriormente. Aqui, o grupo é mostrado em um lugar que se parece com um laboratório, dando a entender que foram submetidos a testes. Para essa versão, foi lançado até um jogo web, no qual é preciso juntar as pistas nas diferentes salas, resolver os enigmas espalhados e tentar escapar. A gameplay é recheada de um clima tenso, já que a câmera é em primeira pessoa enquanto o jogador perambula por lugares escuros e esquisitos. Assim, com alguns toques de cyberpunk, misturados com terror, o ENHYPEN nos convida a libertar o desejo escondido e escapar dos testes sem fim.
Esse comeback serviu muito de todos os lados, em cada detalhe. Então, não deixe de colocar na sua playlist, checar o MV dos nossos vampirões e dar uma olhadinha no photoshoot (mas, com respeito, porque o Jake e o Jay são casados com as autoras deste texto)



