“Guerreiras do K-Pop” pode fazer história no Oscar neste domingo (15.03). A produção concorre nas categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original e, se vencer, pode marcar um feito inédito para o cinema sul-coreano nessas disputas. Embora seja oficialmente considerada uma produção norte-americana, a animação tem forte presença coreana nos bastidores, incluindo a diretora Maggie Kang, sul-coreana radicada no Canadá, além de boa parte do elenco de vozes.
A vitória do filme em ambas as categorias é provável, dado o histórico de prêmios conquistados nos últimos meses. A produção fez a limpa no Annie Awards 2026, a principal premiação da animação, com 10 vitórias. Além disso, levou para casa estatuetas do Grammy, Globo de Ouro e Critics Choice Awards, o que a coloca como uma das favoritas da noite.
Outro indicador para possíveis vitórias é a onda global de interesse pela cultura pop sul-coreana nos últimos seis ou sete anos. Durante muito tempo, apenas o k-pop e os k-dramas figuravam como as grandes exportações culturais do país. Isso começou a mudar em 2020, quando “Parasita” se consagrou como o grande vencedor do Oscar e colocou o cinema sul-coreano no centro da indústria.
A obra de Bong Joon Ho foi o primeiro filme sul-coreano a receber uma indicação ao Oscar. E fez bonito ao levar quatro das seis categorias em que concorria: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. O reconhecimento poderia ter sido ainda maior em categorias de atuação se a Academia não fosse tão fechada na cúpula dos mesmos atores e atrizes de sempre.
No ano seguinte, “Minari” também recebeu seis indicações. Dessa vez veio apenas uma vitória — mas histórica. Youn Yuh Jung levou Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se a primeira sul-coreana a vencer a categoria e apenas a segunda atriz asiática a conquistar o prêmio.
Depois, em 2022, a presença da Coreia do Sul no Oscar veio por meio do filme japonês “Drive My Car”. Sim, você não leu errado. O longa de Ryusuke Hamaguchi contou com coprodução da CJ ENM, um dos maiores conglomerados de entretenimento da Coreia do Sul. A empresa participou do financiamento e da produção internacional do projeto.
Já em 2024, foi a vez de “Vidas Passadas” receber indicações a Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, embora sem levar estatuetas. Dirigido por Celine Song, o filme segue lógica semelhante à de “Guerreiras do K-Pop”: apesar de abordar a cultura sul-coreana e ter sul-coreanas no centro da história, trata-se, no fim das contas, de uma produção estadunidense.
Ainda assim, o Oscar pode surpreender e “Guerreiras do K-Pop” sair de mãos vazias na categoria principal. “Uma Aventura Lego”, aclamado pela crítica e vencedor do Annie de Melhor Filme de Animação, perdeu para “Operação Big Hero”. “Detona Ralph”, também vencedor do Annie, acabou derrotado por “Valente”. E, mais recentemente, “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” viveu situação semelhante ao perder para “Encanto”.
Se vencer no domingo, “Guerreiras do K-Pop” pode acrescentar mais um capítulo a essa trajetória. Não exatamente como um Oscar para um filme sul-coreano em sentido estrito, mas como sinal de que a cultura do país, antes vista como nicho, hoje ocupa um espaço cada vez mais central na indústria global do entretenimento.
