“Vou te receitar um gato” é uma leitura leve e no máximo “fofinha”
O mistério sobre a clínica que receita gatos é, de longe, uma das coisas mais interessantes no enredo do “Vou te receitar um gato”. Porém, não ao ponto de ligarmos tanto assim para descobrir o que de fato a clínica é. Nesse sentido, é possível entender que o interesse sobre o misterioso consultório não seja tão aflorado porque não parece ser o objetivo da obra, exceto nas últimas páginas onde entendemos aspectos específicos, que, no fim das contas, eram previsíveis.
No livro, acompanhamos diferentes personagens que passam pelo consultório, que eles entendem ser de uma clínica psiquiátrica, e todos saem com a mesma receita: um gato. Mesmo com problemas diferentes — trabalho, família, a dificuldade de deixar o outro ir —, todos os pacientes recebem a mesma solução.
A partir disso, acompanhamos os dias seguintes em que os pacientes cuidam dos gatos e, consequentemente, todas as dinâmicas que levam à criação dos felinos. Vemos como um gato pode unir a família em prol dos bichanos; como eles podem nos livrar de situações que nem pensamos; como eles nos ensinam que, muitas vezes, tudo o que precisamos é companhia.
Cada um dos animais fornecidos possui traços e características específicas que possibilita os personagens enxergarem a própria vida e tirar lições a partir disso. Aprendizados que ressoam justamente com os problemas que os levaram à clínica psiquiátrica inicialmente.
Ao ler a sinopse, entendi que encontraria enredos reflexivos, introspectivos e com boas metáforas, mas não podia estar mais enganado. A escrita é expositiva, como se não pudéssemos entender a subjetividade do que está sendo demonstrado, e não oferece nuances acerca das histórias e personagens. Tudo se resolve de maneira muito rápida, como um típico filme clichê onde o final é sempre feliz e os heróis são sempre os mesmos. Por mais que haja diversidade de contextos, pouco se é explorado e deixa a pergunta: o que a autora quis de fato com a obra?
Ela mostra como os animais podem ensinar muito sobre nós mesmos, o que é um fato, mas ela apenas risca a poeira da superfície de um tema que poderia ser muito bem aproveitado. Talvez, a ambição em escrever mais de uma história em um mesmo livro possa explicar a falta de profundidade, o que talvez uma única história poderia oferecer. De qualquer maneira, chegou em um ponto da leitura que se tornou tão repetitivo que não via a hora de terminar a leitura.
Todavia, é um livro leve e para uma leitura rápida, se é o que você procura. É um tipo de obra que vejo como uma possível forma de sair de uma ressaca literária.
Para as crianças, sinto que ele seja ainda mais indicado devido à escrita fácil e mensagens simples de serem compreendidas que podem servir como uma ótima maneira de crianças começarem a refletir sobre si mesmas.
2/10
Vou te receitar um gato
Autoria:Ishida Syou
Sinopse:No final de um beco escuro, há um prédio antigo onde funcionam vários estabelecimentos. Um deles é a Clínica Kokoro, um lugar que apenas as almas que mais precisam de ajuda conseguem encontrar. A misteriosa clínica oferece um tratamento exclusivo ― e um tanto estranho ― para aqueles que chegam até lá: gatos.
Os pacientes muitas vezes ficam intrigados com essa prescrição nada convencional, mas quando “tomam” o animal pelo período recomendado, testemunham profundas transformações em suas vidas ― efeito colateral causado pelos gatinhos brincalhões, cativantes e, de vez em quando, bagunceiros.
Graças ao remédio milagroso ― e muito fofo ― receitado pelo excêntrico dr. Nike e sua enfermeira mal-humorada, Chitose, um corretor de investimentos se depara com uma alegria inesperada após ser demitido; um homem de meia-idade encontra paz no trabalho e em casa; uma mãe cansada se reconecta com a filha; uma designer de bolsas aprende finalmente a relaxar; e uma gueixa abalada pela perda de sua gata descobre como seguir em frente.
À medida que os pacientes da clínica lidam com seus conflitos internos e buscam soluções, os companheiros felinos os conduzem à cura e lhes mostram que, às vezes, tudo o que você precisa é do amor de um gato.
O livro busca propor reflexões sobre nós mesmos a partir da perspectiva dos gatos, mas carece de profundidade para uma ideia que necessita de camadas e, principalmente, intimidade.
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