Sou nova nessa “cozinha” do k-pop, que parece cheia de receitas: algumas bem originais, outras mais tradicionais, mas que sempre dão certo, como um gostoso tteokbokki. Talvez por ainda desconhecer muitos ingredientes e estar estudando um pouco mais essa culinária musical nova, achei que seria interessante dar uma olhadinha nas receitas mais antigas… e foi assim que me deparei com uma receita muito gostosa e única, que há mais de uma década vem conquistando o paladar de todo mundo que descobre esse novo “gosto”.

O GOT7, em 12 anos de trajetória, nos mostrou tantas coisas que, mesmo não tendo acompanhado o início, quando revisito as primeiras receitas deles, fica evidente que já chegaram na indústria com o molho pronto e, posso dizer, bem temperado.

Pois bem… fiquei tão curiosa para provar novamente e tentar decifrar o que os torna tão únicos que achei que deveria compartilhar os ingredientes principais que tornaram o GOT7 essa receita de sucesso e que sustentam o grupo até hoje dentro do k-pop.

A seguir, os principais ingredientes que compõem o GOT7.

Ingredientes:

7 personalidades únicas

Na verdade, o ingrediente um já vem cheio de surpresas e, por ter tantos sabores únicos, talvez eu devesse dividi-lo em sete. Mas a verdade é que “7 ou nada”, na minha opinião, também quer dizer “7 é 1”. E, se é GOT7, é porque sete se juntaram e se tornaram esse ingrediente mais que poderoso.

Eles são sete artistas bem distintos, cada um com seu charme, talentos diversos e nacionalidades diferentes. Quando esses sete: Jay B, Mark, Jackson, Jinyoung, Youngjae, BamBam e Yugyeom se juntaram, mostraram que muito mais que sorte, GOT7 significa sete pessoas com sorte unidas, eles também são destino e talento.

Desde o debut, o grupo se destacou por sempre deixar bem claro como cada personalidade era importante para a receita, e a receita sem uma delas simplesmente não é possível.

Jay B

O líder incansável, o produtor nato. “O pai” da grande família. Coloca ordem no grupo, ordem no fandom… mas, ao mesmo tempo, existe um sabor extra doce no seu sorriso. Jay B é o doce que não enjoa.

Mark

O “emo” do grupo, aquele que traz um pouco de paz para um conjunto que, quando se une, parece um caos organizado. Ele acrescenta uma mistura diferente à receita: estadunidense com ascendência taiwanesa e uma pitadinha de Brasil, já que morou aqui por um tempo quando criança.

Jackson

Meu Magic Man já me contaminou e, por isso, só consigo pensar que ele é o relações públicas do grupo. Me diz aí: quem não é amigo do Jackson Wang? Tem como odiar esse homem? Impossível. Na receita de sucesso, Jackson traz uma picância que não arde de doer, mas deixa o prato irresistível.

Jinyoung

Não basta termos apenas idols talentosos, também precisamos de um ator incrível. Jinyoung não brilha só nos palcos, mas transforma cada k-drama em que atua em algo memorável. Pode parecer que estamos misturando todos os sabores aqui… mas é verdade. Ele é agridoce. Seu jeitinho sarcástico traz um charme especial para o prato.

Youngjae

Mais um na lista de atores do grupo, o que mostra que o segredo também está em dominar múltiplas áreas. E o que dizer da voz? Ah… a voz. Sua personalidade calorosa é a que adiciona ainda mais doçura à mistura.

BamBam

É o ingrediente com humor afiado que entra sorrindo e, quando você percebe, já tomou conta da receita. Carismático, esperto e internacional sem perder a essência. Ele é o tempero que dá brilho ao prato, aquele toque que faz tudo ficar mais interessante.

Yugyeom

O maknae que cresceu sem pedir licença. Na dança, ele não acompanha a música, ele domina. Na receita, é o ingrediente que traz profundidade. Pode parecer discreto, mas faz toda a diferença no resultado final.

O diferencial não está em misturar tudo até que se tornem homogêneos, mas em permitir que cada um mantenha sua essência para que, juntos, deixem a receita perfeita.

Os hits, uma evolução sonora em fases distintas

Como falar de uma receita de sucesso musical sem mencionar um dos ingredientes principais: a música?

A história musical do GOT7 começa oficialmente em janeiro de 2014, com “Girls Girls Girls”. Um debut energético que rapidamente chamou atenção. Talvez com uma letra um pouco duvidosa… sim. Mas já deixando claro que entrega de palco e presença nunca seriam problema.

Ainda em 2014, vieram “A” e “Stop Stop It” (sugestão: stages ao vivo dessas eras), mostrando que o grupo não se limitaria a um único sabor.

Em 2015, o contraste ficou ainda mais evidente: “Just Right” (MV colorido e icônico) virou fenômeno com sua proposta doce e acessível, enquanto “If You Do” apresentou um lado mais intenso e dramático. Dois extremos convivendo no mesmo repertório e funcionando.

“Fly” e “Hard Carry” consolidaram presença de palco, especialmente nas performances ao vivo. Já “You Are” marcou um ponto importante por evidenciar maior participação criativa dos membros.

Depois vieram “Look”, “Lullaby”, “Eclipse”, “You Calling My Name” e “Not By The Moon”, aprofundando camadas e mostrando maturidade.

E, quando muitos esperavam silêncio após a saída da empresa, “NANANA” (MV de 2022) mostrou que esse ingrediente continuava fresco, atual e, acima de tudo, escolhido por eles.

As b-sides… ah, as b-sides. Ali estão nuances e composições pessoais que enriquecem ainda mais essa receita.

A música não é tudo. Mas, sem ela, nenhum dos outros elementos faria sentido.

Winter Heptagon

Se a música construiu a base e o reconhecimento validou o percurso, “Winter Heptagon”, na minha humilde opinião de baby ahgase, é aquele ingrediente que muda a percepção de tudo o que veio antes.

Lançado em 20 de janeiro de 2025, ele se tornou um elemento único dentro da receita GOT7 porque evidencia algo que sempre esteve ali: cada membro tem um estilo muito próprio e, ainda assim, eles conseguem unir tudo sem que nada soe deslocado.

Ao ouvir o álbum, é possível reconhecer nuances individuais. Há momentos com mais R&B, outros mais pop, outros que valorizam produção ou vocal específico… mas o resultado final ainda soa como grupo. “Winter Heptagon” não dilui individualidades para forçar unidade. Ele respeita as diferenças e constrói a partir delas.

E, para mim, há ainda um significado pessoal. Foi o único comeback que acompanhei já sendo fã, mesmo tendo chegado “tarde” ao fandom e ainda estando em processo de aprendizado sobre a trajetória deles. Viver teasers, teorias, contagem regressiva e lançamento em tempo real trouxe outra dimensão para essa receita.

Reconhecimento musical

Ao longo da carreira, o GOT7 também acumulou reconhecimento importante dentro da indústria. O grupo conquistou múltiplos MAMA Awards, Golden Disc Awards e Asia Artist Awards, somando mais de 20 vitórias em premiações relevantes e dezenas de indicações ao longo dos anos.

Além disso, diversos álbuns lideraram rankings internacionais, incluindo a Billboard World Albums, e suas turnês mundiais reuniram centenas de milhares de fãs ao redor do mundo.

Esses números não são apenas estatísticas… são sinais de consistência. São a confirmação de que a receita não apenas agrada, mas se sustenta.

O tempero: Ahgase

Nenhuma receita se sustenta apenas com ingredientes principais. Às vezes, é o tempero que define o sabor final. No caso do GOT7, esse tempero atende pelo nome de Ahgase.

Mais do que falar apenas dos fãs, é importante falar da relação construída ao longo dos anos. Existe carinho, mas também existe brincadeira. Existe proximidade, mas também existe limite. As piadas internas atravessam eras, os memes sobrevivem a comebacks e a linguagem entre grupo e fandom se tornou quase um idioma próprio.

E com o tempo, essa relação amadureceu e todo mundo envelheceu junto como vinho HAHA Apoiar o GOT7 atualmente significa apoiar também Jay B, Mark, Jackson, Jinyoung, Youngjae, BamBam e Yugyeom em suas carreiras solo. E o interessante é que isso nunca pareceu dividir o fandom ou o grupo, pelo contrário, fortaleceu ainda mais a identidade coletiva.

Pelo menos na minha experiência como fã de k-pop e multifandom, a comunicação com o GOT7 é uma das mais abertas e diretas, onde limites são evidenciados sutilmente e temas que poderiam gerar caos em outros contextos são tratados com mais maturidade e menos ataques.

É um tempero bem equilibrado que por não ser excessivo, só complementa a receita, não a anula.

Modo de preparo:

A ruptura que não desfez a receita

Toda receita passa por um momento decisivo, aquele ponto em que ou ela desanda… ou ganha identidade própria. No k-pop o que aprendi até hoje é que esse momento, é quando o contrato está para ser encerrado. Para muitos pode ser um pesadelo, prefiro não comentar sobre os grupos temporários de reality shows, mas para o GOT7, não foi assim!

Em 2021, quando os contratos chegaram ao fim, muitos esperavam o roteiro comum da indústria: dispersão e silêncio. No entanto, o que aconteceu foi diferente. A ruptura não foi um escândalo. Foi decisão e orquestrada lindamente pelo nosso líder Jay B.

Cada membro seguiu sua carreira em empresas diferentes, explorou estilos próprios e assumiu maior controle criativo, mas ninguém soltou a mão de ninguém. Quando “NANANA” foi lançada, não soou como tentativa desesperada de provar relevância. Soou como confirmação tranquila de permanência.

Assim, o modo de preparo mudou. Saiu a estrutura engessada de uma Big Three. Entrou autonomia. Entrou escolha. E, justamente por isso, a receita não apenas continuou ela ganhou ainda mais identidade.

Como servir:

O melhor GOT7 é servido em 1 mas com 7!

Depois de separar todos esses ingredientes, sete personalidades distintas, uma discografia construída em fases bem definidas, reconhecimento musical consistente, um álbum que evidencia maturidade coletiva, uma relação equilibrada com o fandom e um modo de preparo marcado por escolha e autonomia, ficou claro que o GOT7 nunca foi uma receita simples ou instantânea.

Servir GOT7 é entender que cada ingrediente mantém seu sabor próprio, mas se intensifica quando está junto. Seja os 7 integrantes, seja toda a sua discografia. São sabores que não se anulam, mas se complementam.

No fim das contas, talvez o maior segredo dessa receita seja justamente esse: ela não foi feita para agradar todo mundo e ser um prato comum. Foi feita para quem reconhece o sabor quando experimenta e gosta de originalidade. Para concluir, gostaria apenas de deixar um recadinho para os chefs: o Brasil já está com a mesa posta, só falta o prato principal chegar completo! Mas por enquanto a gente já está bem feliz recebendo eles parcelados (Jackson Wang, só vem!)