O norueguês Bjørn-Eirik Olsen sempre foi encantado pelo Japão desde os 12 anos. O filme “Os Sete Samurais” foi o estopim para o fascínio do jovem pelo país e que, quando mais velho, viajou para Osaka. Em terras japonesas, Bjørn aprendeu a língua nativa e estudou a produção e o uso de algas na Universidade de Kyushu em Fukuoka.

Mais tarde na vida, o empreendedor entrou no mercado de salmão na Noruega, que vinha em expansão desde 1960 quando a indústria pesqueira norueguesa começou a experimentar a aquicultura e conseguiu criar os peixes sem parasitas e com maior teor de gordura.
Em 1986, o setor esquentou, produziu mais do que conseguia vender e precisou de novos mercados para expandir. O Ministro da Pesca da Noruega na época, Thor Listau, observou que o Japão aumentou a demanda por atum para sushi, mas não havia oferta suficiente por causa da falta de regulamentação da pesca durante metade do século XX. Então, surgiu a ideia do Projeto Japão: uma iniciativa de exportação do salmão para o país.
Projeto Japão

O Japão é comumente conhecido pelo consumo de frutos do mar, mas a população não consumia salmão cru.
Segundo Bjørn, quando entrou em contato com pessoas da indústria para tratar sobre as vendas dos salmões noruegueses, os japoneses não comiam salmão cru porque achavam que a carne tinha cheiro de rio, a textura não era adequada e a cor não era vermelha o suficiente. Havia também o conhecimento de que o salmão do Pacífico continha parasitas e o do Atlântico, que era criado em cativeiro, era inferior.
A recusa ocasionou toneladas de salmão estagnadas nos congeladores noruegueses. Os preços caíram e vários piscicultores foram à falência. Com isso, Bjørn precisou criar uma nova estratégia para atrair o mercado japonês.
A equipe removeu a palavra “shake”, salmão em japonês, e a substituiu pelo nome “Noruee saamon”, versão adaptada que significa “salmão norueguês” em japonês. Ela fez campanhas de marketing, incluindo a participação de Yutaka Ishinabe, famoso pelo programa de cozinha na televisão.
Mesmo com a iniciativa, os exportadores noruegueses cogitaram vender 12 mil toneladas de salmão para uma empresa japonesa que destinaria o peixe para a cozinha tradicional, em vez do sushi, devido à baixa adesão.
Bjørn interviu, pois mancharia a reputação do salmão para ser usado no sushi e sashimi, fez um acordo com a empresa Nichirei e vendeu 5 mil toneladas, que seriam vendidas como salmão para sushi.
Em 1995, Bjørn voltou para o Japão, após um ano ausente do país, e percebeu a popularidade da carne marítima no sushi ao ver que as vitrines exibiam réplicas de plástico dos pratos do cardápio e o salmão estava incluso, o que simbolizava a adesão popular.
O “boom” do salmão

A popularidade do salmão cru se deu também pelo rápido desenvolvimento econômico do Japão no início dos anos 90. Os restaurantes de sushi mais acessíveis cresceram e, atualmente, a carne é um dos ingredientes mais populares no mundo.
A Noruega continua como a maior fonte de salmão e Bjørn ainda viaja para o Japão. O empreendedor está escrevendo um livro sobre a experiência do salmão e afirmou que ver a união da cultura japonesa e norueguesa o enche de alegria.
