“O Envelope Vermelho”: astros de BL Billkin e PP Krit se juntam em longa sobre um casamento fantasma.
“The Red Envelope” ou “O Envelope Vermelho”, é um filme estrelado por Billkin e PP Krit, queridinhos dos BLs (Boys Love). Pensando nisso, não posso afirmar com certeza se uma coisa levou à outra, mas acredito que há uma relação entre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Tailândia, instituída em 23 de janeiro de 2025, e a estreia de O Envelope Vermelho nos cinemas tailandeses quase dois meses depois, em 20 de março. Coincidência? Acho que não!
A obra é um remake de “Marry My Dead Body” ou “Um Romance do Além”, filme taiwanês de 2022 disponível na Netflix, mantendo assim muitas semelhanças com a versão original. Dessa maneira, “O Envelope Vermelho” traz uma história com o melhor da comédia tailandesa que, cá entre nós, tem seu próprio encanto.
No filme, acompanhamos Menn (Billkin), um assaltante que auxilia a polícia em suas investigações como informante. Ele acredita que, ao ajudá-los, poderá se tornar policial. Entretanto, após um incidente na rua, Menn encontra no chão um envelope vermelho que contém algo assustador: uma mecha de cabelo e a foto de um rapaz.
Já Titi (PP Krit) é um homem gay, apaixonado por moda e ativo nas lutas da causa LGBT+. Depois de uma briga feia com o pai, ele sai de casa muito triste, buscando apoio do namorado. Porém, antes mesmo de contatá-lo, Titi é atropelado e acaba morrendo.
Muito abalada pela perda e atormentada por pesadelos envolvendo o neto, a avó de Titi decide recorrer a um casamento fantasma para encontrar um bom marido para ele, garantindo-lhe um pós-vida digno e a chance de reencarnar. Além disso, ver Titi casado era uma promessa que ela havia feito ao neto em vida. E com quem ele se casaria? Com o homem que encontrasse o envelope vermelho.
À primeira vista, toda essa história de casamento fantasma pode parecer absurda para nós, ocidentais. No entanto, trata-se de uma prática ancestral da cultura chinesa e, consequentemente, presente em outros países influenciados por ela, como Taiwan, nacionalidade do filme original, e na própria Tailândia.
Nesse contexto, o casamento fantasma era um ritual simbólico realizado por familiares, muitas vezes para unir uma pessoa falecida a um noivo ou noiva. O objetivo podia ser garantir que a alma não ficasse sozinha após ter desencarnado, nem se tornasse um espírito vingativo, ou ainda trazer conforto à família que ficou. As razões e costumes que envolvem essa prática são muito antigos e vários detalhes permanecem desconhecidos até hoje.
No caso de Menn e Titi, o casamento fantasma não é suficiente para que o espírito do jovem siga para a reencarnação. Preso ao mundo dos vivos, Titi precisa da ajuda de Menn para resolver suas pendências. Convivendo juntos, fica claro que eles não poderiam ser mais diferentes: enquanto Menn segue um estereótipo heteronormativo, sem senso de moda, organização ou sensibilidade, Titi é seu completo oposto, sendo fofo, sensível, criativo e cheio de vida, mesmo que infelizmente tenha sido interrompida precocemente.
Assim, os dois embarcam em uma jornada para desvendar o mistério por trás da morte de Titi, para que ambos possam seguir em paz com suas vidas, e pós-vida. Com uma premissa dessas, nem preciso dizer que o filme rende muitas risadas, certo? Mas, além disso, “O Envelope Vermelho” também emociona e pode até arrancar algumas lágrimas dos mais sensíveis.
Mesmo com um enredo previsível, especialmente para quem assistiu ao filme taiwanês, “O Envelope Vermelho” cumpre o que promete: é divertido, leve e bem produzido. Além disso, é bastante fiel ao original, incluindo cenas icônicas, como a dança no pole dance e o makeover para ir à balada, mas com um toque de charme típico das produções tailandesas.
Billkin e PP Krit, como sempre, entregam uma boa química entre os personagens, que, entre debates e implicâncias, acabam sendo o ponto de apoio um do outro. Billkin demonstra seu talento como ator, mesmo interpretando um personagem menos profundo do que em outros trabalhos. Já PP Krit rouba a cena, esbanjando carisma e emoção.
Para quem viu “Marry My Dead Body” e depois assistiu “O Envelope Vermelho”, pode causar estranhamento pela menor carga emocional no desfecho. No entanto, o filme tailandês se mantém fiel à sua proposta do início ao fim: ser uma história leve e divertida, feita para render risadas, sem medo de assumir isso.