No último mês, milhares de pessoas foram às ruas nas Filipinas para protestar contra o escândalo de corrupção envolvendo projetos de infraestrutura no país, em especial projetos destinados à contenção e mitigação de inundações.
O que mais chamou a atenção nesses protestos que tomaram as ruas de Manila e outras cidades filipinas foi a adesão de estudantes, trabalhadores, grupos indígenas e até artistas. Pelas redes sociais, principalmente pelo X, foi possível observar também grande adesão da comunidade k-popper.



Créditos das imagens: @eyrisscoven, @HorangdansPH.
Jovens dos mais variados fandoms levaram cartazes, bandeiras e até mesmo seus lightsticks para protestarem. Nos cartazes e bandeiras, os fãs usaram toda a criatividade com trocadilhos do meio k-popper para demonstrarem sua indignação.
Não é a primeira vez que vemos fandoms se movimentarem assim. No ano passado, durante os protestos que ocorreram em favor do impeachment do ex-presidente da Coreia do Sul pelas redes sociais, foi possível ver a movimentação dos fandoms. Com lightsticks em mãos e um coro que misturava os famosos fanchants com os gritos de protestos, k-poppers se juntaram aos cidadãos nas ruas para protestar.

Além disso, esse não é o único nicho que tem se unido para protestar. Em julho deste ano, a bandeira Jolly Roger de “One Peace” foi usada em protestos contra o autoritarismo do presidente da Indonésia. E mais recentemente, no Nepal, a bandeira também foi usada em protestos que levaram à queda do governo.
Situações como essas, por mais inusitadas que possam parecer, podem ser um reflexo da transição entre as gerações. Assim como seus precursores tinham seu jeito de protestar, a geração de jovens adultos atual está encontrando sua voz e seu próprio modo de se manifestar.


E não é a primeira vez que fandoms se movimentam em prol de uma causa. Pelo mundo todo já foram feitos diversos projetos de arrecadação de fundos ou doações para diferentes causas como plantação de árvores, câncer infantil, ajuda a comunidades atingidas por desastres naturais, entre outras causas.
Nas Filipinas, em 2023, diversos fandoms como BLINKS, Once, RedLuvs e MY se juntaram ao projeto social promovido pela World Vision Filipinas, o #GirlsCan, que visa empoderar mulheres e meninas por meio da educação, proteção contra violência de gênero, higiene menstrual, entre outras causas, ajudando-os a arrecadar mais de P$ 200.000 pesos filipinos em doações.
No Brasil, também temos exemplos, como o ARMY Help The Planet, projeto criado em 2019 para ajudar em causas sociais, humanitárias e ambientais. Ou ainda quando o fandom brasileiro de vários artistas, como Super M, MAMAMOO, KAI, TEN e BTS, se mobilizou durante a crise ambiental do Pantanal em 2020.
A verdade é que independente da causa defendida, é inegável a importância que a mobilização dos fandoms tem adquirido nos últimos anos, em diversos âmbitos. Talvez estejamos assistindo à evolução do fandom de um espaço de acolhimento e comunidade para também uma forma de mobilização e organização social em prol de causas sociais, ambientais e humanitárias.



