Entregando elementos de terror, vidas passadas, romance, xamanismo e muita imersão cultural, “Khemjira” fez história, furando a bolha da comunidade QUEER da Tailândia e se tornando um sucesso. Baseado na novel “เขมจิราต้องรอด / Khemjira Will Survive” de Cali (คาลิ), o BL está disponível com legendas em português no iQIYI.

ENREDO

Khemjira ou apenas Khem (Namping), é um jovem universitário aparentemente comum, mas desde criança convive com a capacidade de ver fantasmas, além disso, há gerações sua família sofre com uma maldição: todos os descendentes homens morrem antes de completar os 21 anos.

Próximo do fim dos seus 20 anos, ele conhece Jet (FirstOne), um amigo da faculdade que também tem capacidades especiais. Em busca de salvá-lo da maldição, ambos viajam para uma vila rural no norte da Tailândia, para pedir ajuda ao jovem mestre xamã Pharan (Keng Harit).

Assim começa uma jornada contra o tempo para descobrir os mistérios que cercam a maldição, afinal Khemjira tem que viver.


Imagem/reprodução: iQIYI

OPINIÃO

Sem muitas pretensões, comecei a assistir por causa de alguns edits e nunca me arrependi tanto de ter demorado para dar play em um BL antes! Com tranquilidade, posso dizer que “Khemjira” é um dos dramas mais bem desenvolvidos do ano, merecendo toda a fama e destaque que vem recebendo.

Mesmo que “Khemjira” seja ambientado na nossa realidade, a partir do momento que damos play em um episódio é como se fossemos transportados para um universo totalmente novo e diferente. Esse é um dos grandes feitos desse drama: a ambientação é tão bem feita que é impossível não se sentir imerso na história.

Para manter a fidelidade à obra original, por exemplo, a casa do Pharam, um dos protagonistas do BL, foi construída do zero para as filmagens. E é muito bonita a forma como a história honra e abraça suas origens, colocando a religiosidade de forma central no enredo e abordando momentos que marcaram a história da Tailândia. 

Khemjira
Imagem/reprodução: iQIYI

Elementos tradicionais da cultura e das religiões tailandesas são tão protagonistas quanto os próprios personagens principais. Somos apresentados ao budismo milenar que incorporou elementos animistas e hindu, e o xamanismo típico de aldeias do norte tailandês, em uma combinação única que só a Tailândia poderia oferecer. São dialetos, costumes, práticas e rituais, lindamente representados e incorporados na história, dando ao drama uma magia única e encantadora, despertando nossa curiosidade sobre a cultura tailandesa. 

Além disso, “Khemjira” soube dar espaço para tudo na medida certa: temos uma linda história de amor que transcende o tempo e a vida; reflexões sobre o karma e as escolhas que fazemos; vários elementos de terror que dão aquele susto; um mistério para desvendar; alívios cômicos; e personagens cativantes e bem desenvolvidos. 

É muito satisfatório assistir a uma história capaz de desenvolver seus personagens de forma tão fluida, sejam protagonistas ou secundários. É impossível não se apegar a eles ou se emocionar com o quão bonita e genuína a amizade entre o trio principal parece ser. 

E para além disso, “Khemjira” foi capaz de mostrar a beleza do amor em suas diversas formas, não se limitando apenas ao amor romântico ou carnal. Mesmo que as relações entre os personagens transcendam o tempo e suas próprias vidas, no momento presente, onde a história que assistimos se passa, o relacionamento entre eles não deixa de se desenvolver fluida e naturalmente.

Parte disso provavelmente acontece graças ao roteiro bem construído, mas não posso deixar de destacar aqui a grande contribuição que as excelentes atuações que o elenco também tiveram para deixar tudo tão natural. E isso é de uma forma geral, desde os protagonistas ao elenco de apoio, e em especial a atriz Green que representou de forma magnífica todo o desespero, ódio e rancor da personagem “Ramphueng”.

Outro elemento muito bem utilizado ao longo do drama é a trilha sonora, que foi majoritariamente performada pelo elenco, conseguindo auxiliar em todo a demonstração dos sentimentos e das emoções que as cenas exigiam, mesmo os sustos 🤡.

Para além da parte técnica, do início ao fim, o enredo se propôs a tratar de temas ligados ao ciclo da vida, trabalhados a partir da religiosidade dos personagens, e como ela dita muitas vezes a forma que eles enxergam e lidam com o cotidiano, sobretudo, o amor, a fé, o luto e o desapego.

Por esse motivo, o karma foi uma temática muito trabalhada, afinal, na religião budista, acredita-se que seja uma lei que rege o mundo, baseada em ações e reações pautadas na intencionalidade dos nossos atos, que estão sempre moldando o futuro, seja nesta vida ou nas próximas. 

Deste modo, a narrativa apresenta considerações sobre as conexões que temos nesta vida, sobre a forma que constantemente nos apegamos ao físico, seja material, sejam pessoas, a ponto de não lidarmos bem com o luto de entes queridos, por exemplo. Nos levando a refletir sobre que tipo de vida estamos levando, e quais os karmas levaríamos para as próximas vidas?!

Dito isso, o drama conseguiu finalizar de forma mais que satisfatória, com um episódio que encerrou todos os ciclos iniciados desde o primeiro episódio. Sem esquecer um único detalhe, inclusive, ressaltando a consistência do enredo. E digo mais, foi um final que gostaria que fosse o novo padrão de finais em BLs, por favor! 🙏

Com tanto elogios não deveria ser surpresa para ninguém o fato de que “Khemjira” furou a bolha da comunidade QUEER tailandesa e ainda bateu recordes de audiência seja no iQiyi, por onde é transmitido internacionalmente, seja na transmissão nacional, provando que é um verdadeiro sucesso.

Sendo assim, se você ficou interessado em assistir ao drama, prepare-se para encontrar uma fotografia e trilha sonora incríveis, muitas emoções e imersão cultural, lindas histórias de amor e atuações maravilhosas, afinal ele é com certeza um ABSOLUTE BL!

10/10

Khemjira

Título original: เขมจิราต้องรอด

Ano de lançamento: 2025

Direção: Ron Patarapon To-oun, Aoftion Kittipat Jampa e Den Panuwat Inthawat

Elenco: Keng Harit Buayoi, Namping Napatsakorn Pingmuang, Tle Matimun Sreeboonrueang e FirstOne Wannakorn Reungrat

Episódio(s): 12