Um dia dedicado ao k-pop é prometido há pelo menos cinco anos no maior festival de música do Brasil, o Rock in Rio. Quando finalmente o pedido é atendido, porém, a programação anunciada levanta dúvidas: a line-up parece pouco alinhada tanto com o público que acompanha o gênero quanto com quem pode ter nesse espaço o primeiro contato com esses artistas.

Antes de avançar, é importante deixar claro: NEXZ, Hwasa e Stray Kids são artistas competentes. NEXZ é uma das apostas recentes da JYP Entertainment; Hwasa construiu uma carreira sólida como solista e também com o MAMAMOO; e o Stray Kids é hoje um dos maiores grupos de k-pop do mundo. O ponto central não é questionar o talento desses artistas, mas sim discutir se o Palco Mundo do Rock in Rio era realmente o espaço mais adequado para cada um deles.

No caso do NEXZ, a escolha chama atenção pelo momento da carreira do grupo. Mesmo entre fãs de k-pop, o nome ainda é pouco conhecido. Quando o Rock in Rio anunciou o septeto na noite de quinta-feira (12.03), as redes sociais rapidamente se encheram de perguntas como “quem é?”.

Os números ajudam a explicar a reação: no Spotify, o grupo tem menos de 350 mil ouvintes mensais. Trata-se de um alcance ainda modesto, somado a uma carreira muito recente — menos de três anos — para um palco da dimensão do Palco Mundo do Rock in Rio. Pode soar duro colocar dessa forma, mas é difícil ignorar o descompasso entre o estágio atual do grupo e o tamanho do espaço em que ele foi escalado.

Com Hwasa, a situação é diferente. Experiência e presença de palco não faltam, e é difícil imaginar que ela não entregará uma apresentação sólida. Ainda assim, fica a dúvida se ela seria realmente o nome mais adequado para esse espaço específico no Rock in Rio. Não é uma escolha tão questionável quanto a de NEXZ, mas continua sendo uma decisão curiosa.

Quando se observa a programação como um todo, fica a sensação de escolhas que pouco conversam entre si — quase como se bastasse ser k-pop para dividir o mesmo espaço. Mas não é tão simples. O resultado acaba evidenciando falhas na curadoria do Rock in Rio, distante das expectativas e das necessidades de quem realmente acompanha o gênero.