BLACKPINK finalmente se reuniu para “DEADLINE”, seu aguardadíssimo novo EP. Enquanto a faixa-título “GO” se consolida como um dos melhores singles da carreira do grupo, o restante do EP não esconde que o quarteto resolveu apostar no seguro. A decisão expõe um contraste incômodo: “DEADLINE” não soa como o trabalho de quem passou quase dois anos expandindo suas identidades artísticas em carreiras solo, mas como um retorno calculado e pouco arriscado.

Quando as quatro resolveram apostar nas suas individualidades, na música e na TV, foi interessante acompanhar como cada uma floresceu e seguiu caminhos completamente opostos e, principalmente, como pareciam ter tomado as rédeas das próprias carreiras. Quando o retorno foi anunciado, após quatro anos de espera, não foi difícil criar expectativas e acho que era melhor não ter criado.

Há bons frutos no EP, que são justamente os singles, para falar a verdade. “Jump”, que abre o disco, é uma faixa até protocolar, pois tem o propósito claro de mostrar aos fãs mais antigos que o BLACKPINK de antigamente segue firme, para o bem e para o mal. A música segue a estrutura básica na qual o grupo aposta desde sua estreia, em 2016, com versos energéticos que explodem a cada segundo. Uma pena que a catarse final fique apenas na promessa.

Já a grande estrela do álbum, “GO”, é a canção que deixa claro como o grupo mudou, principalmente por conta das carreiras individuais na música. De certo modo, e não digo isso com conotação negativa, soa como um grande feat entre quatro grandes artistas. Dá para sentir a identidade de cada integrante como nunca. Claro, ainda há elementos que remetem ao BLACKPINK, como a constante quebra de ritmo que elas executam muito bem, mas a faixa traz frescor ao grupo ao apostar em uma mistura de EDM e jangle pop.

Tudo funciona muito bem nessa primeira parte do disco, mas as três faixas seguintes tornam o restante morno pela falta de originalidade. Fica a constante sensação de déjà-vu, como se já tivéssemos ouvido tudo antes, pois as músicas soam como descartes das carreiras solo das integrantes, principalmente “Me and My”, que parece ter saído diretamente de “Alter Ego”, da Lisa.

Depois de “GO”, nada realmente engrena. “Champion”, produzida por Dr. Luke, é o ápice da falta de frescor que marca essa segunda metade do álbum. Não é preciso reinventar a roda a cada lançamento, mas uma faixa claramente pensada para funcionar ao vivo passa a impressão de que o grupo não sabia exatamente que direção seguir e optou por lançar o que estava à mão o mais rápido possível.

No fim, “DEADLINE” deixa a desejar, principalmente quando consideramos que as quatro construíram carreiras solo sólidas e bem definidas. O que faz falta aqui é justamente a individualidade de cada uma. Elas são o BLACKPINK e precisam lançar músicas como grupo. Mas a própria “GO” prova que é possível incorporar as identidades das quatro sem comprometer a marca BLACKPINK e, na verdade, isso só fortaleceria o resultado.