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A K4US conversou com participantes da 20ª edição do Seoul Queer Culture Festival, realizado no dia 1º de junho. O evento reuniu mais de 60 mil pessoas em celebração a diversidade e luta por direitos.


A Coreia não poderia ter começado o mês do orgulho LGBTQ+ mais colorido. O primeiro dia de junho marcou a 20ª edição da Parada Queer de Seul (Seoul Queer Culture Festival), que começou lá em 2000, com a presença de corajosas 50 pessoas. Em 2019, a estimativa é que o evento tenha levado cerca de 60 mil pessoas às ruas de Seul, em uma caminhada marcada por pontos da história atual e tradicional da Coreia do Sul.

Dezenove anos após seu início, a Parada já mudou de nome (anteriormente, o evento tinha cunho nacional e era chamado de Korean Queer Culture Festival); recebeu a companhia de outras Paradas locais, como as de Daegu e Jeju; e principalmente forneceu um ambiente de celebração da cultura queer, onde existe espaço para festa, aceitação, luta por direitos e até mesmo K-Pop.

cr.: Seoul Queer Culture Festival no Twitter
Iniciada em 2000, com apenas 50 pessoas,
Parada de 2019 reuniu mais de 60 mil pessoas nas ruas


De acordo com o colunista Seunghan, aliado da causa, o evento cresceu nos últimos anos acompanhado pelo aumento de opositores, que realizam manifestações à margem do festival. Apesar disso, o número e o barulho dos conservadores, se tornam meros ruídos em face da aceitação: “as pessoas LGBTQ+ se divertiram dançando e cantando com simpatizantes, como eu, e era normal ver outras pessoas [fora da Parada] acenando para nós”, afirma o colunista. Já Woobin, que foi pela primeira vez a Parada, conta ainda que “a forma como as pessoas veem o evento está mudando aos poucos e o número de casais heterossexuais e famílias que participam da Parada também está crescendo”.

Essa convivência harmônica de reconhecimento e respeito entre pessoas LGBTQ+ e simpatizantes é essencial, de acordo com representante do Queer ARMYs, um dos fandoms que literalmente levantou a bandeira durante o evento. “Queríamos dizer que as pessoas queer não são diferentes das outras e que estamos em toda parte: no fandom do BTS, em locais de trabalho, escolas e na família de alguém. Quando você vai ao Korean Queer Culture Festival, você pode ver, pelas bandeiras, que as pessoas LGBTQ+ também fazem parte das muitas comunidades diferentes dentro da nossa sociedade, baseadas em seus empregos, religiões, status, hobbies e interesses. Acreditamos que mostrar que existimos em todos os lugares pode ajudar as pessoas a perceberem que somos reais e combater a discriminação”.

Junto de ARMYs, que participaram do evento pela primeira vez, outros fandoms do K-Pop também estiveram representados por seus grupos lgbtq+ durante a Parada, como Carats (@qurat), Moomoos (@rainbowmoomoons), Exo-Ls (@EXO_Queer) e NCTzens (@NCTsmtown_QUEER).

E através de suas músicas, outros artistas se fizeram presentes, ainda que apenas nos carros de som e na boca do povo, como Sunmi, Momoland e Girls’ Generation.

Sunmi, que recentemente se autointitulou Rainha LGBT, esteve presente através de fãs e admiradores de seu trabalho. Vídeo filmado por @chyyy_kim.

“Desfilar ao som de hits de K-Pop, em si, gera muita alegria e felicidade”, declarou uma colaboradora anônima. Segundo ela, cantar e dançar com amigos e os mais diferentes tipos de pessoas, traz uma sensação de empoderamento e conexão. Para Red, uma jovem chinesa e panssexual, a presença no evento é também como uma prova individual de sua resistência: “Eu me assumi para meus colegas de escola enquanto eu fazia uma apresentação sobre igualdade sexual e de gênero. E então eles fizeram bullying comigo. Apesar disso quase destruir minha vida, eu nunca parei o que estou fazendo. Estou muito feliz por poder participar da Parada Queer em Seul. Isso me faz sentir viva e me dá muito poder”.

 

QUEM FOI, QUEM TAVA

Para a matéria, a K4US contou com a colaboração de cinco entrevistados, que além das citações do texto, renderam diálogos importantes para que a comunidade de interessados pela cultura do país, conheça melhor as experiências e o contexto social em que a comunidade LGBTQ+ sul-coreana se encontra. Use o slider abaixo para passar pro lado as mensagens de nossos entrevistas:

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Nós entramos em contato com a organização do evento, mas até o fechamento dessa matéria eles não deram um novo retorno. A equipe da K4US saúda as corajosas pessoas que estiveram presente na Seoul Queer Culture Festival e se dispuseram amigavelmente a colaborar com esta matéria.


Texto por Bea | Design por Chugga @ Equipe de redatores da K4US
www.k4us.com.br | Por favor, não usar o texto sem créditos.

 

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Bea
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Bea
Carioca, 26 anos, jornalista e carmy. Se pudesse passaria meus dias comendo batata frita, sorvete e lendo fluff, como não posso: trabalho, passo mais tempo do que devia no twitter, como batata e leio fluff nas horas vagas. Presa numa areia movediça chamada K-Pop há dez anos (sem previsão de conseguir sair).
Arquivado em: Exclusivo, Opinião